A sessão da tarde da “Mesa-Redonda sobre Cultura e Tecnologia” do Fórum Internacional de Macau foi realizada com êxito na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau

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    A sessão da tarde da “Mesa-Redonda sobre Cultura e Tecnologia” do Fórum Internacional de Macau foi realizada com êxito na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau

    2026-10-24 14:26
    来源:中国文化人物国际
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    Na tarde de 19 de setembro, realizou-se solenemente na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau a sessão da tarde da “Mesa-Redonda sobre Cultura e Tecnologia” do Fórum Internacional de Macau, coorganizada pela Fundação Macau, pela Revista Figuras da Cultura Chinesa e pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, e executada pela Delegação de Macau da Revista Figuras da Cultura Chinesa, pelo Museu de Arte de Macau de Figuras Culturais da China e pela Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.
    Reportagem fotográfica dos jornalistas da Figuras da Cultura Chinesa: Ma Jiangping, Zhang Dongli e Su Qing.



    Esta mesa-redonda, subordinada ao tema "Cocriar novos horizontes: a força transdisciplinar na era da IA e o futuro da Grande Baía", reuniu vinte representantes dos domínios da cultura, da arte, da tecnologia, da educação, do desporto e da indústria, vindos do Interior da China, de Macau, de Hong Kong e do estrangeiro, que debateram com entusiasmo a força transdisciplinar na era da IA e o futuro da Grande Baía.



    Este fórum vai ao encontro da orientação do 15.º Plano Quinquenal Nacional relativa à aplicação integral da ação “IA+” e ao reforço da articulação entre a inteligência artificial e a construção cultural. Ancorando-se na vantagem única de Macau como ponto de confluência das culturas chinesa e ocidental, centra-se na concretização das aplicações da inteligência artificial que capacita as artes e a cultura,; e ainda na inovação dos modelos de colaboração transdisciplinar e na construção de um ecossistema de integração entre cultura e tecnologia na Grande Baía, oferecendo assim caminhos práticos à transmissão cultural e à capacitação digital e inteligente na nova era.



    Esta mesa-redonda tem a "era da IA" como contexto tecnológico, a "força transdisciplinar" como sujeito da ação e o "futuro da Grande Baía" como coordenada espacial, dando ênfase às práticas de fronteira e à cocriação transdisciplinar.




    Liu Yiliang — deputado ao 9.º, 10.º, 11.º, 12.º, 13.º e 14.º mandatos da Assembleia Popular Nacional; vice-presidente do 11.º mandato da Federação de Chineses Ultramarinos Retornados da China; membro do 6.º Conselho Executivo da Região Administrativa Especial de Macau; presidente da Associação de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China; presidente vitalício da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos Retornados de Macau; presidente do conselho de administração do Grupo Empresarial Chuangshi (Macau), S.A.; presidente honorário da Câmara Geral de Comércio da Província de Guangdong — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Chen Qingli — antigo secretário da secção do Partido e vice-diretor do Departamento de Relações Externas do Gabinete do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional — presidiu à mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Tian Liming — membro do 12.º e 13.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; diretor do Comité de Arte da Pintura Chinesa da Associação de Artistas Plásticos da China; subdiretor do Instituto de Pesquisa de Pintura Chinesa da Universidade de Comunicação da China — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Wu Zhihua — diretor do Museu do Palácio de Hong Kong; doutor em História; licenciado em História e mestre e doutor em Filosofia pela Universidade Chinesa de Hong Kong — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Feng Ying — membro do 9.º, 10.º e 11.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; deputada ao 12.º mandato da Assembleia Popular Nacional; vice-presidente do 11.º mandato da Associação Chinesa de Dança; antiga diretora da Companhia Nacional de Ballet da China; célebre bailarina; membro do Comité de Peritos do Fundo Nacional das Artes — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Man Dandan — campeã mundial chinesa de esqui de fundo; porta-estandarte da cerimónia de encerramento dos Jogos Asiáticos de Inverno; docente da Universidade de Desporto da Capital — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Guo Ruiqi — professor assistente e orientador de doutoramento do Instituto de Microeletrónica da Universidade de Macau e do Laboratório Nacional-Chave de Circuitos Integrados Analógicos e de Sinais Mistos; investigador associado do Instituto Superior de Hengqin da Universidade de Macau e do Instituto de Investigação de Circuitos Integrados de Shenzhen Hetao — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Cui Jingzhe — vice-presidente da Associação de Artistas Plásticos da Província de Hebei; vice-reitor da Academia de Belas-Artes de Hebei; membro do conselho da Associação de Artistas Plásticos da China; membro executivo permanente da Sociedade Chinesa de Pintura Gongbi; distinguido com a "Medalha Pierre de Coubertin" — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Xiao Hongying — vice-diretora do Instituto de Governação e Desenvolvimento Social da Universidade de Tsinghua; diretora do Gabinete de Cooperação para o Desenvolvimento Estratégico da Faculdade de Ciências Sociais; antiga diretora do Gabinete de Assuntos de Pessoal do Comité do Partido da Faculdade de Ciências Sociais; membro do Comité do Partido e diretora do Gabinete do Comité do Partido da Faculdade de Jornalismo e Comunicação; antiga vice-diretora executiva do Centro de Estudos de Comunicação da Imagem Nacional — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Zhao Wan — diretora do Museu de Arte de Macau de Figuras da Cultura Chinesa — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Liu Xinqi — académico estrangeiro da Academia de Engenharia da Rússia; professor e orientador de doutoramento da Faculdade de Alimentação e Saúde da Universidade de Tecnologia e Negócios de Pequim — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Alexis Y. Lavis (杨一心) — filósofo e sinólogo de nacionalidade francesa; professor associado da Universidade Popular da China; jovem académico do programa Wu Yuzhang; diretor de projeto e membro do comité académico do Colégio Internacional de Filosofia (CIPh); investigador do Centro de Arquivo Husserl do Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS) — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Xie Jian — deputado ao 13.º e 14.º mandatos da Assembleia Popular Nacional; diretor da Subestação Insular da Filial de Correios de Zhuhai, província de Guangdong, do Grupo de Correios da China, e funcionário de distribuição e recolha da Agência de Wailingding — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Guo Xu — presidente da Zhixin Holdings de Hong Kong; presidente do conselho de administração da Zhixin Electronics (Hong Kong) Co., Ltd.; presidente do conselho de administração da Weichen Electronics (Hong Kong) Co., Ltd.; presidente do conselho de administração da Hangshi Capital Management (Hong Kong) Co., Ltd. — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Zhang Mingxing — membro do 13.º e 14.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; presidente da Associação de Compatriotas de Fujian em Macau; membro do Comité de Eleição do Chefe do Executivo de Macau; presidente do conselho de administração do Grupo Xinxiongxing (Internacional) Co., Ltd.; membro do conselho de administração da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Zhang Junyong — deputado ao 13.º mandato da Assembleia Popular Nacional pelo setor de Hong Kong; membro executivo da Aliança para a Economia e o Bem-Estar  e conselheiro da Comissão da Juventude — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Zhang Genhu — deputado ao 11.º mandato da Assembleia Popular Nacional; antigo presidente da Federação dos Círculos Literários e Artísticos da Província de Shanxi; presidente da Sociedade de Pintura Chinesa de Shanxi — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Zhang Yingxi — célebre tenor do Teatro de Ópera e Dança da China; ator de primeira categoria; produtor de grandes galas; membro do júri de canto ( categoria de bel canto) do Prémio de Música Chinesa "Jin Zhong"; membro do júri da categoria de bel canto do programa "Cantores da China" da Televisão Central da China; embaixador de comunicação de causas públicas do Ministério da Gestão de Emergências do Estado; membro do conselho da Associação de Voluntários das Artes e da Cultura da Federação dos Círculos Literários e Artísticos da China — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Liu Jiayu — membro do Comité Provincial de Yunnan da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; presidente da Aliança de Economia e Bem-Estar de Macau — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Lai Sai Kei — deputado ao 13.º mandato da Assembleia Popular Nacional; diretor da Escola Keng Peng de Macau; vice-presidente da Associação Chinesa de Educação de Macau — compareceu e usou da palavra na mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau.




    Wang Baosheng — convocador do Fórum Internacional de Macau; diretor da Revista Figuras da Cultura Chinesa; professor convidado do Centro de Estudos de Sinologia Internacional da Universidade de Shandong — compareceu à mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau e fez uma intervenção de síntese.


     
    O consenso de sabedoria congregado pelo fórum injetará de forma duradoura vitalidade inovadora e força motriz de desenvolvimento na transformação criativa e no desenvolvimento inovador da excelente cultura tradicional chinesa. E ainda numa melhor integração de Macau no quadro geral do desenvolvimento nacional e na construção de uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental.




    Figuras da Cultura Chinesa (jornalista Ma Jiangping) — Na tarde de 19 de setembro, realizou-se solenemente na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau a sessão da tarde da “Mesa-Redonda sobre Cultura e Tecnologia" do Fórum Internacional de Macau, coorganizada pela Fundação Macau, pela Revista Figuras da Cultura Chinesa e pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, e executada pela Delegação de Macau da Revista Figuras da Cultura Chinesa, pelo Museu de Arte de Macau de Figuras da Cultura Chinesa e pela Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Subordinada ao tema "Cocriar novos horizontes: a força transdisciplinar na era da IA e o futuro da Grande Baía", esta mesa-redonda reuniu vinte representantes dos domínios da cultura, da arte, da tecnologia, da educação, do desporto e da indústria, vindos do Interior da China, de Macau, de Hong Kong e do estrangeiro, que debateram com entusiasmo a força transdisciplinar na era da IA e o futuro da Grande Baía.
    Esta sessão constitui uma importante atividade académica de acompanhamento da "Jing Hang Xing Zhi — Exposição Académica Convidada de Mestres da Pintura Chinesa (Macau Edition)
    2026 é o ano de arranque do 15.º Plano Quinquenal; a construção da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau continua a aprofundar-se e a consolidar-se, e Macau está a acelerar a sua integração no quadro geral do desenvolvimento nacional. Este fórum vai ao encontro da orientação do 15.º Plano Quinquenal relativa à aplicação integral da ação "Inteligência Artificial +" e ao reforço da articulação entre a inteligência artificial e a construção cultural; ancorando-se na vantagem única de Macau como ponto de confluência das culturas chinesa e ocidental, centra-se na concretização das aplicações da inteligência artificial que capacita as artes e a cultura, na inovação dos modelos de colaboração transdisciplinar e na construção de um ecossistema de integração entre cultura e tecnologia na Grande Baía, oferecendo caminhos práticos à transmissão cultural e à capacitação digital e inteligente na nova era.
    Interpretar os três sentidos de "novos horizontes" e impulsionar a cocriação transdisciplinar
    Esta mesa-redonda tem a "era da IA" como contexto tecnológico, a "força transdisciplinar" como sujeito da ação e o "futuro da Grande Baía" como coordenada espacial, dando ênfase às práticas de fronteira e à cocriação transdisciplinar.
    Os "novos horizontes" compreendem três sentidos: primeiro, os novos cenários criados pela tecnologia — da experiência cultural imersiva à criação assistida por IA, do património cultural digital às artes performativas virtuais, a tecnologia está a abrir modos de perceção cultural sem precedentes; segundo, o novo ecossistema suscitado pela transdisciplinaridade — quando artistas e engenheiros, educadores e empreendedores tecnológicos, desportistas e especialistas em IA dialogam numa mesma plataforma, as antigas fronteiras setoriais começam a diluir-se e está a nascer um novo paradigma de cooperação; terceiro, o novo imaginário aberto pela Grande Baía — a Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau assume a importante missão de "um ponto e dois lugares" (um ponto de apoio estratégico, uma área de demonstração do desenvolvimento de alta qualidade e uma área de vanguarda da modernização ao estilo chinês), e as suas vantagens de inovação institucional, a sua vitalidade de coordenação industrial e a sua configuração de abertura ao exterior estão a abrir novo espaço à integração entre cultura e tecnologia na China. Segundo os organizadores, esta mesa-redonda visa impulsionar um diálogo transdisciplinar que vá "do aprofundamento individual à criação conjunta": os representantes veteranos oferecem a visão do setor, os jovens representantes trazem a prática exploratória, e os representantes de diferentes contextos procuram, no intercâmbio, as possibilidades de cocriação sinérgica.
    Confluência transdisciplinar: vinte representantes debatem o futuro da Grande Baía
    A mesa-redonda sobre cultura e tecnologia foi presidida por Chen Qingli — antigo secretário da secção do Partido e vice-diretor do Departamento de Relações Externas do Gabinete do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional. Participaram nesta mesa-redonda os seguintes representantes: Liu Yiliang — vice-presidente do 11.º mandato da Federação de Chineses Ultramarinos Retornados da China; membro do 6.º Conselho Executivo da Região Administrativa Especial de Macau; presidente da Associação de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China; presidente vitalício da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos Retornados de Macau; presidente do conselho de administração do Grupo Empresarial Chuangshi (Macau), S.A.; presidente honorário da Câmara Geral de Comércio da Província de Guangdong; deputado ao 9.º, 10.º, 11.º, 12.º, 13.º e 14.º mandatos da Assembleia Popular Nacional; Tian Liming — membro do 12.º e 13.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; diretor do Comité de Arte da Pintura Chinesa da Associação de Artistas Plásticos da China; subdiretor do Instituto de Pesquisa de Pintura Chinesa da Universidade de Comunicação da China; Liu Xinqi — académico estrangeiro da Academia de Engenharia da Rússia; professor e orientador de doutoramento da Faculdade de Alimentação e Saúde da Universidade de Tecnologia e Negócios de Pequim; Wu Zhihua — diretor do Museu do Palácio de Hong Kong; doutor em História; licenciado em História e mestre e doutor em Filosofia pela Universidade Chinesa de Hong Kong; Feng Ying — membro do 9.º, 10.º e 11.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; deputada ao 12.º mandato da Assembleia Popular Nacional; vice-presidente do 11.º mandato da Associação Chinesa de Dança; antiga diretora da Companhia Nacional de Ballet da China; célebre bailarina; membro do Comité de Peritos do Fundo Nacional das Artes; Xiao Hongying — vice-diretora do Instituto de Governação e Desenvolvimento Social da Universidade de Tsinghua; diretora do Gabinete de Cooperação para o Desenvolvimento Estratégico da Faculdade de Ciências Sociais; antiga diretora do Gabinete de Assuntos de Pessoal do Comité do Partido da Faculdade de Ciências Sociais; membro do Comité do Partido e diretora do Gabinete do Comité do Partido da Faculdade de Jornalismo e Comunicação; antiga vice-diretora executiva do Centro de Estudos de Comunicação da Imagem Nacional; Zhao Wan — diretora da Galeria de Arte de Macau das Figuras da Cultura Chinesa; Man Dandan — campeã mundial chinesa de esqui de fundo; porta-estandarte da cerimónia de encerramento dos Jogos Asiáticos de Inverno; docente da Universidade de Desporto da Capital; Guo Ruiqi — professor assistente e orientador de doutoramento do Instituto de Microeletrónica da Universidade de Macau e do Laboratório Nacional-Chave de Circuitos Integrados Analógicos e de Sinais Mistos; investigador associado do Instituto Superior de Hengqin da Universidade de Macau e do Instituto de Investigação de Circuitos Integrados de Shenzhen Hetao; Lai Sai Kei — deputado ao 13.º mandato da Assembleia Popular Nacional; diretor da Escola Keng Peng de Macau; vice-presidente da Associação Chinesa de Educação de Macau; Alexis Y. Lavis — filósofo e sinólogo de nacionalidade francesa; professor associado da Universidade Popular da China; jovem académico  do programa Wu Yuzhang; diretor de projeto e membro do comité académico do Colégio Internacional de Filosofia (CIPh); investigador do Centro de Arquivo Husserl do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS); Cui Jingzhe — vice-presidente da Associação de Artistas Plásticos da Província de Hebei; vice-reitor da Academia de Belas-Artes de Hebei; membro do conselho da Associação de Artistas Plásticos da China; membro executivo permanente da Sociedade Chinesa de Pintura Gongbi; distinguido com a "Medalha Coubertin"; Xie Jian — deputado ao 13.º e 14.º mandatos da Assembleia Popular Nacional; diretor da Subestação Insular da Filial de Correios de Zhuhai, província de Guangdong, do Grupo de Correios da China, e funcionário de distribuição e recolha da Agência de Wailingding; Guo Xu — presidente da Zhixin Holdings de Hong Kong; presidente do conselho de administração da Zhixin Electronics (Hong Kong) Co., Ltd.; presidente do conselho de administração da Weichen Electronics (Hong Kong) Co., Ltd.; presidente do conselho de administração da Hangshi Capital Management (Hong Kong) Co., Ltd.; Zhang Genhu — deputado ao 11.º mandato da Assembleia Popular Nacional; antigo presidente da Federação dos Círculos Literários e Artísticos da Província de Shanxi; presidente da Sociedade de Pintura Chinesa de Shanxi; Zhang Yingxi — célebre tenor do Teatro de Ópera e Dança da China; ator de primeira categoria; produtor de grandes galas; membro do júri de canto (categoria de bel canto) do Prémio de Música Chinesa "Jin Zhong"; membro do júri da categoria de bel canto do programa  “Cantores da China” da Televisão Central da China; embaixador de comunicação de causas públicas do Ministério da Gestão de Emergências do Estado; membro do conselho da Associação de Voluntários das Artes e da Cultura da Federação dos Círculos Literários e Artísticos da China; Zhang Mingxing — membro do 13.º e 14.º mandatos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; presidente da Associação de Compatriotas de Fujian em Macau; membro do Comité de Eleição do Chefe do Executivo de Macau; presidente do conselho de administração do Grupo Xinxiongxing (Internacional) Co., Ltd.; membro do conselho de administração da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau; Zhang Junyong — deputado ao 13.º mandato da Assembleia Popular Nacional pelo setor de Hong Kong; membro executivo da Aliança para a Economia e o Bem-Estar e conselheiro da Comissão da Juventude; e Liu Jiayu — membro do Comité Provincial de Yunnan da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; presidente da Aliança de Economia e Bem-Estar de Macau — num total de vinte representantes.
    Diversidade de encontros: faíscas de pensamento que se cruzam e se agitam
    Os especialistas veteranos do mundo da cultura e da arte partilharam a sua visão do setor e a sua experiência prática sobre o desenvolvimento inovador da cultura e da arte na era da inteligência digital; os jovens artistas apresentaram explorações de fronteira como a criação assistida por IA, a curadoria digital e a experimentação artística transmedia; os representantes do mundo da tecnologia, partindo das tendências técnicas e de uma perspetiva estratégica, traçaram o panorama de longo prazo e as direções de rutura fundamentais da fusão entre a IA e a cultura, apresentando casos concretos de aplicação da IA nas artes e na cultura, no treino desportivo e na inovação educativa; os representantes do desporto e da educação partilharam práticas de fronteira em que a tecnologia capacita o treino desportivo, a difusão de competições e a inovação da cultura desportiva, debatendo as explorações inovadoras com que a tecnologia da IA impulsiona a integração entre cultura e educação e a transformação dos modos de aprendizagem; os representantes da indústria e os jovens empreendedores, numa perspetiva de mercado e de ecossistema, falaram das vias de sinergia, dos modelos de negócio e das perspetivas futuras da indústria de cultura e tecnologia da Grande Baía.
    Os participantes da mesa-redonda da sessão da tarde têm origens plurais e um traço transdisciplinar bem marcado — da arte do ballet ao canto lírico, do campeão desportivo ao microchip, do património museológico do Palácio à saúde alimentar, da inovação educativa à governação social; as faíscas de pensamento de diferentes domínios cruzam-se e fundem-se na mesma mesa-redonda, estimulando, através de perspetivas plurais, as possibilidades de cocriação e injetando força motriz inovadora na diversificação económica adequada de Macau e na construção de uma Grande Baía de perfil humanístico. Os representantes presentes consideram, em geral, que, no ano de arranque do 15.º Plano Quinquenal, a fusão profunda entre a inteligência artificial e a cultura está a fazer nascer novos formatos de negócio e novos modelos sem precedentes; e que a Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau, enquanto plataforma estratégica nacional, possui vantagens ímpares e um amplo espaço de desenvolvimento na promoção da integração entre cultura e tecnologia, e no estímulo à inovação colaborativa transdisciplinar.
    O êxito desta mesa-redonda da tarde constitui uma resposta ativa ao desenvolvimento integrado da educação, da ciência e da tecnologia e dos talentos, bem como ao objetivo de construção de uma "Macau da cultura" previstos nos planos pertinentes da Região Administrativa Especial de Macau, e oferece também uma plataforma de pensamento de alto nível para a construção do ecossistema de integração entre cultura e tecnologia na Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau. O consenso de sabedoria congregado pelo fórum injetará de forma duradoura vitalidade inovadora e força motriz de desenvolvimento na transformação criativa e no desenvolvimento inovador da excelente cultura tradicional chinesa, e numa melhor integração de Macau no quadro geral do desenvolvimento nacional e na construção de uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental.
    O diretor da Revista Figuras da Cultura Chinesa, Wang Baosheng, fez a intervenção de síntese. Assinalou que o diálogo transdisciplinar da tarde revelou plenamente o vasto horizonte da integração entre cultura e tecnologia na era da IA e que a cocriação transdisciplinar é a força motriz fundamental do desenvolvimento futuro da Grande Baía. A revista, tendo Macau como janela, impulsionará a concretização de mais cooperações transdisciplinares e contribuirá para a construção de uma Grande Baía de perfil humanístico.
    Antes do início da sessão, Liu Yiliang — vice-presidente do 11.º mandato da Federação de Chineses Ultramarinos Retornados da China; membro do 6.º Conselho Executivo da Região Administrativa Especial de Macau; presidente da Associação de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China; presidente vitalício da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos Retornados de Macau; presidente do conselho de administração do Grupo Empresarial Chuangshi (Macau), S.A.; presidente honorário da Câmara Geral de Comércio da Província de Guangdong; deputado ao 9.º, 10.º, 11.º, 12.º, 13.º e 14.º mandatos da Assembleia Popular Nacional — e Wang Baosheng — diretor da Revista Figuras da Cultura Chinesa e professor convidado do Centro de Estudos de Sinologia Internacional da Universidade de Shandong — entregaram ainda troféus de honra aos representantes presentes na sessão.

    Seleção de intervenções

    Ao usar da palavra, Liu Yiliang afirmou: Macau é uma autêntica "cidade de ultramarinos". Geração após geração, os chineses ultramarinos regressaram aqui para se fixarem, trazendo consigo as línguas, os costumes e a cultura empresarial de todo o mundo e, ao mesmo tempo, dando continuidade à raiz cultural chinesa. Os retornados têm, por natureza, "um pé ligado à China e outro ligado ao mundo" — no passado, foram comerciantes da Rota Marítima da Seda e mensageiros populares da cultura chinesa no exterior; no início da reforma e da abertura, foram também os primeiros a regressar ao país para investir e introduzir tecnologia e gestão. "Transdisciplinaridade" não é uma palavra nova de hoje; os retornados já a inscreveram, há muito, na vida de várias gerações.
    No passado, os compatriotas ultramarinos ligavam-se ao mundo por meio de navios, cartas e letras de câmbio; hoje, o comércio eletrónico transfronteiriço permite aos pequenos e médios comerciantes de Macau vender os seus produtos no Sudeste Asiático e em África, e os vídeos curtos fazem com que os transmissores do património cultural imaterial sejam vistos pelo mundo de um dia para o outro. A geração mais jovem de compatriotas ultramarinos dedica-se à criação cultural e criativa digital, às transmissões em direto transfronteiriças e ao hardware inteligente, levando a tecnologia e a cultura chinesas aos países ao longo da "Uma Faixa, Uma Rota".
    Enquanto representante veterano, ultramarino retornado veterano e empresário veterano, desejo que a tecnologia tenha mais calor humano, para que as micro, pequenas e médias empresas possam ter acesso à tecnologia e os cidadãos comuns partilhem os dividendos digitais; desejo que a cultura tenha mais força, transformando a confluência sino-ocidental de Macau num recurso cultural único na Grande Baía; e desejo que os jovens tenham mais sentido de responsabilidade, levando mais longe, com novas tecnologias e novas ideias, a "rota dos ultramarinos" que a geração mais velha abriu com o seu esforço.
    Ao presidir à mesa-redonda sobre cultura e tecnologia da sessão da tarde do Fórum Internacional de Macau, Chen Qingli afirmou: as linhas programáticas do 15.º Plano Quinquenal estabelecem claramente a aplicação integral da ação "Inteligência Artificial +" e o reforço da articulação entre a inteligência artificial e a inovação científica e tecnológica, o desenvolvimento industrial, a construção cultural, a garantia do bem-estar da população e a governação social, capacitando de forma abrangente todos os setores de atividade. Esta mesa-redonda da tarde, subordinada ao tema "Cocriar novos horizontes: a força transdisciplinar na era da IA e o futuro da Grande Baía", constitui precisamente uma resposta ativa e uma exploração prática face à orientação estratégica nacional.
    Esta mesa-redonda visa impulsionar um diálogo transdisciplinar que vá "do aprofundamento individual à criação conjunta": os representantes veteranos oferecem a visão do setor, os jovens representantes trazem a prática exploratória, e os representantes de diferentes contextos procuram, no intercâmbio, as possibilidades de cocriação sinérgica. Desejo que todos os representantes se expressem livremente e dialoguem com sentido prático, contribuindo com sabedoria e propostas para a força transdisciplinar da era da IA e para o futuro da Grande Baía.
    Ao usar da palavra, Tian Liming afirmou: a pintura chinesa assenta na filosofia chinesa e, através de uma expressão poética e de um "ensino pela poesia" que valoriza a natureza, a virtude e a coesão do grupo, promove o espírito da civilização chinesa de "autoaperfeiçoamento incessante e de uma virtude magnânima que tudo sustenta". Ao guardar a estética da imagética, forma a sua conceção estética e o seu modo de criação próprios. Através de experiências humanísticas como a contemplação com o espírito límpido, a apreensão da imagem nas coisas, o "Dao que segue a natureza" e a geração recíproca do ser e do não-ser, a pintura chinesa integra-se na transformação criativa da excelente cultura tradicional chinesa e no esforço da nossa época. A pintura chinesa eleva a vida quotidiana ao plano do poético e da personalidade; através da "comparação da virtude na contemplação das coisas" e do "estabelecimento da imagem para esgotar o sentido", vivencia o sentido humanístico do confucianismo, do taoísmo e do budismo e, mediante uma expressão própria do pincel e da tinta, constitui os seus traços característicos. Por isso, entendo que o processo de criação e de apresentação da pintura chinesa compreende cinco planos: estabelecer o carácter e o estilo, apreciar as coisas, a retrospeção interior, a imagem conceptual e a imagem mental.
    Estabelecer o carácter e o estilo designa o carácter moral e o tom da pintura chinesa, ligados à virtude e à retidão de conduta. A imagem conceptual da pintura chinesa manifesta-se, antes de mais, no estabelecimento do carácter e do estilo: a busca de um estado de vida elevado e de uma personalidade genuína, que liga o indivíduo ao coletivo e funde a experiência humanística com a cultura nacional. Por isso, "estabelecer a imagem para esgotar o sentido" é, antes de tudo, estabelecer o plano e o horizonte da personalidade. Os antigos sábios pintavam o pinheiro, o bambu, a ameixeira e a pedra para se retratarem e se contemplarem a si mesmos, saboreando a natureza e a vida num estado de espírito elevado e refletindo, no pincel e na tinta, a força humanística da cultura chinesa que contempla o Dao com o espírito límpido.
    Apreciar as coisas, a retrospeção interior, a imagética e a imagem mental têm todos em si a conceção estética da assimilação entre o homem e a natureza e entre o eu e o outro, contemplando constantemente o interior e voltando-se para dentro num autoexame. Como dizia Confúcio, "ser suave e magnânimo: eis o que ensina a poesia" — trata-se da formação e da disciplina da unidade entre o saber e o agir, entre o interior e o exterior e entre o Céu e o Homem. O senhor Zhang Dainian dizia que o "Dao que segue a natureza" de Laozi deveria, na verdade, ser formulado como "o Dao toma-se a si mesmo por lei". É com esta contemplação que o pincel e a tinta da pintura chinesa trabalham. Por isso, a pintura chinesa dá a maior importância ao "sentido": da "intenção que precede o pincel" e da "comparação da virtude na contemplação das coisas" nasce o anseio humano pelo carácter moral, ancorado no encontro e na fusão com a natureza.
    Hoje, impulsionar a inteligência, a ecologização e a integração com a modernização ao estilo chinês e, ao mesmo tempo, articulá-las com a integração da economia e da indústria — este é também um tema do pincel e da tinta da pintura chinesa. O digital já se fundiu no quotidiano e a IA tornou-se uma via importante da modernização. Enquanto criador de pintura chinesa, devo integrar-me nisto, vertendo a vida atual na sedimentação humanística. A linguagem do pincel e da tinta e o modo de criação da pintura chinesa carregam o espaço da vida, da natureza, da época, do estado de espírito e das circunstâncias. Ao encontrar-se com a IA, o espaço humanístico da pintura chinesa fará nascer necessariamente múltiplas imagens estéticas do esforço de uma grande época. Uma conceção muito importante da pintura chinesa é "o sentido no hoje": esse sentido é a disposição estética em que se fundem o alicerce da personalidade, o estado humanístico e o espírito da época.
    O secretário-geral Xi Jinping assinalou que, em qualquer época, a literatura e a arte só podem fazer ouvir uma voz que desperte os surdos se estiverem estreitamente ligadas ao país e à nação, partilhando a sua sorte e o seu infortúnio. Refletir a época é a missão dos trabalhadores da literatura e da arte. Enquanto praticante da pintura chinesa, devo apreender o presente, voltar-me para o futuro e ousar responder às questões da época. O espírito nacional de "autoaperfeiçoamento incessante e virtude magnânima que tudo sustenta"e o espírito do pincel e da tinta da pintura chinesa avançam ininterruptamente, na transmissão e na inovação, através da vivência genuína da "modernização e da cultura tradicional nacional". A criação atual da pintura chinesa orienta-se no sentido de se apoiar no desenvolvimento tecnológico para aprofundar a criação artística.
    Enquanto praticante da pintura chinesa, experimento também as mudanças trazidas pela IA. Como dizia um estudioso, é preciso ser um bom "orientador" e "corretor" da IA. Isto torna o modo de criação e a apresentação imagética da pintura chinesa mais amplos e diversificados, dando-me também mais horizontes e construção académica. As tecnologias de geração de imagem e os algoritmos da IA oferecem mais modos ou referências imagéticas à criação da pintura chinesa. Por exemplo, uma imagem, uma maneira de pintar, um modo de usar o pincel ou um modo de usar a tinta podem gerar múltiplas possibilidades e cartografias, suscitando novas sensações e inspirações científicas e, congregando a inteligência humana, alargando as ideias do criador e aprofundando o sentido de conjunto da obra.
    A geração por IA de hoje, acompanhando a estética imagética e a criatividade da pintura chinesa, desempenhará certamente um papel ainda maior, oferecendo ao criador referências de perceção mais precisas. Que o criador possua a estética da imagética humanística da sua época é o fundamento integral do pincel e da tinta da pintura chinesa. A estética imagética eleva-se rumo ao "inteiramente bom e inteiramente belo", percorrendo, com o autocontrolo próprio da pintura chinesa, a força interior da personalidade e o sentimento de família e de pátria próprios da estética do pincel e da tinta. A vida quotidiana e as cartografias do esforço da época, que se revelam no pincel e na tinta, fazem com que a pintura chinesa exiba hoje a confiança cultural — e a confiança cultural é a força mais básica, mais profunda e mais duradoura no desenvolvimento de um país e de uma nação.
    Quando a pintura chinesa se encontra com a IA, a IA em si mesma não produz originalidade: é uma auxiliar do criador. Enquanto trabalhador da literatura e da arte, devo incorporar conscientemente na criação a ideia de que "a cultura é o cordão vital de uma nação", mergulhar na vida com elevada confiança e consciência culturais, criar raízes no povo e fazer com que o pincel e a tinta se derramem sobre a beleza simples e grandiosa dos trabalhadores comuns, refletindo o vasto panorama do progresso humanístico da época; e fazer com que a IA ajude, capacite e dê inteligência, permanecendo sempre ligada ao espírito humanístico da pintura chinesa e integrada na visão holística da cultura chinesa e na transmissão e criação da própria pintura chinesa.
    Ao usar da palavra, Wu Zhihua afirmou: a integração entre cultura e tecnologia na era da IA já não consiste apenas em revestir obras literárias e artísticas com tecnologias digitais como a VR, a AR e as experiências imersivas, mas em recorrer à inteligência artificial para concretizar a tradução ativa dos recursos culturais, a inovação dos conteúdos e a renovação das formas de difusão, abrindo novos caminhos à transmissão e à inovação da excelente cultura tradicional chinesa.
    Com a sua poderosa capacidade computacional, criativa e de difusão, a inteligência artificial traz novas oportunidades a três grandes domínios — a transmissão cultural, a criação artística e a difusão cultural — e cria novos horizontes culturais para a nova era.
    Primeiro, a inteligência artificial pode ajudar a preservar e a ativar a linhagem cultural chinesa. A cultura chinesa, de raízes longínquas, legou uma enorme quantidade de livros antigos, documentos, obras de caligrafia e pintura, peças do património, técnicas do património cultural imaterial e culturas populares. Apoiando-se em tecnologias de inteligência artificial como a restauração de imagens, o reconhecimento de caracteres, a análise semântica e a modelação tridimensional, é possível proceder à restauração inteligente e ao arquivo digital de livros antigos danificados, pinturas desbotadas e peças do património mutiladas, permitindo uma melhor conservação do património cultural. Ao mesmo tempo, os grandes modelos de linguagem conseguem fazer uma interpretação acessível e uma organização sistemática de textos clássicos obscuros e de fórmulas orais de técnicas tradicionais, integrando recursos culturais fragmentados em ativos culturais digitais normalizados, pesquisáveis, aprendíveis e utilizáveis.
    Segundo, a inteligência artificial rompe as fronteiras da criação artística, faz nascer uma nova estética transdisciplinar e estimula a criatividade da cultura nacional. A tecnologia da IA oferece mais possibilidades à criação artística: a IA generativa pode recriar a arte tradicional e a estética clássica conjugando-as com o gosto estético moderno, integrando a conceção estética clássica no design moderno, na animação cinematográfica e televisiva e nos produtos culturais e criativos. Novas formas artísticas como os humanos digitais, a arte interativa com IA e a arte inteligente da luz e da sombra podem romper as fronteiras setoriais da pintura, da caligrafia, do teatro e do design tradicionais, construindo uma ecologia artística inteiramente nova em que o antigo e o moderno se fundem e o virtual e o real coexistem.
    Por fim, com a sua capacidade transdisciplinar de difusão em todos os domínios, a inteligência artificial alarga a popularização da cultura chinesa junto de toda a população e a sua difusão no exterior, derrubando as barreiras linguísticas, as limitações geográficas e a monotonia das formas de difusão. Para o público interno, a IA, apoiando-se nos megadados, faz corresponder com precisão as necessidades culturais de diferentes idades e de diferentes grupos, personalizando experiências culturais e conteúdos de educação estética, tornando a popularização cultural mais precisa e mais acessível a todos. Para o exterior, a IA permite a conversão multilingue em tempo real e a tradução leve dos conteúdos culturais, transformando a densa cultura chinesa em vídeos curtos, textos com imagens e conteúdos interativos de fácil compreensão para o público estrangeiro, contando bem a história da China e impulsionando a cultura chinesa a ir para o mundo.
    O Museu do Palácio de Hong Kong, desde a sua abertura em 2022, sob a vantagem institucional de "um país, dois sistemas", assenta em Hong Kong, liga-se ao Interior da China e volta-se para o mundo, tendo já realizado uma exploração ativa na área da exposição digital, dos guias multilíngues e das exposições virtuais. O projeto "Arquivo Digital do Património" que estamos a desenvolver recorre à modelação tridimensional e à tecnologia de restauração de imagens por IA para proceder à conservação digital de alta precisão das peças do património em acervo, fazendo com que estas alcancem a "vida eterna" no mundo digital.
    Mas, ultimamente, o debate internacional sobre a governação da IA tem-se intensificado, e o desenvolvimento da IA enfrenta também desafios comuns nos domínios da segurança dos dados, da ética tecnológica, da proteção dos direitos de autor e do monopólio tecnológico. Também a integração transdisciplinar entre cultura e tecnologia enfrenta muitos desafios:
    Primeiro, o risco para a autenticidade cultural. Os conteúdos gerados por IA incorrem facilmente em erros factuais históricos e em distorções de estilo, sendo propensos a criar uma falsa cultura tradicional de entretenimento generalizado; é necessário estabelecer mecanismos de revisão de conteúdos e guardar a linha vermelha da história e da linhagem cultural.
    Segundo, as questões de direitos de autor e de ética. Os materiais de treino da IA recorrem em grande quantidade a obras de caligrafia, pintura e arte tradicionais, o que envolve os direitos de autor das obras originais; e a reprodução de estilos artísticos pela IA também afeta os direitos e interesses dos criadores.
    Terceiro, a valorização da técnica em detrimento do núcleo. Alguns projetos limitam-se a acumular efeitos especiais, em busca do espetacular, sem profundidade cultural. Há que sustentar que a cultura é o núcleo e a tecnologia apenas o suporte.
    Quarto, a exclusão digital. Diferentes grupos têm diferentes graus de aceitação dos produtos culturais digitais com IA, sendo necessário atender a públicos plurais.
    O caminho futuro do desenvolvimento integrado entre cultura e tecnologia deve observar os seguintes princípios:
    Primeiro, a retidão como fundamento e a tecnologia como instrumento. Sustentar a primazia do núcleo cultural — não se pode falsear a história nem deturpar o conteúdo cultural em nome de efeitos técnicos.
    Segundo, estabelecer normas e padrões. Aperfeiçoar o mecanismo de revisão de conteúdos culturais gerados por IA e o mecanismo de direitos de autor, definindo com clareza os limites da criação por IA e salvaguardando a autenticidade e a seriedade da cultura.
    Terceiro, a cocriação sinérgica de múltiplas partes. A participação conjunta de instituições museológicas e do património, especialistas em cultura e história, artistas, educadores e equipas técnicas, para dominar os conteúdos e a experiência digital.
    A IA traz enormes oportunidades à integração entre cultura e tecnologia, e as novas tecnologias são um instrumento poderoso para ativar a linhagem cultural chinesa. Mas só guardando a identidade própria da cultura e sabendo usar bem a inovação tecnológica se poderão fazer nascer obras literárias e artísticas que reúnam a estética clássica e as características da época, estimular a criatividade da cultura nacional e elevar a influência da cultura chinesa.
    Ao usar da palavra, Feng Ying afirmou: gostaria de começar pelo ballet. Esta arte nascida nas cortes europeias — como criou raízes na China e como, com o apoio da força tecnológica da era da IA, se encaminha para palcos cada vez mais amplos? Por trás disto há, precisamente, um caminho vivo de cocriação transdisciplinar.
    O presidente Xi Jinping assinalou que é preciso "promover o espírito das culturas de valor excelente que atravessa o tempo e o espaço, ultrapassa as nações, e possui um encanto eterno e tem valor contemporâneo". A exploração do ballet chinês é uma nota viva desta importante exposição. E esta exploração nunca foi um trabalho de gabinete fechado sobre si mesmo, mas um processo de diálogo e cocriação constantes com a época, com a tecnologia e com criadores de diferentes domínios.
    Olhando para o desenvolvimento do ballet chinês, distinguem-se quatro linhas claras.
    Primeiro, a firmeza na via da nacionalização: a fusão transdisciplinar com as artes autóctones.
    Em 1964 estreou-se "O Destacamento Vermelho de Mulheres", criado e ensaiado pela Companhia Nacional de Ballet da China. Tendo como tema a história revolucionária da China, integra danças populares nacionais e movimentos de artes marciais na linguagem do ballet, erguendo-se nas pontas dos pés com um porte chinês e fazendo com que o público estrangeiro compreendesse, numa "arte ocidental", o sentimento de família e de pátria dos chineses.
    Segundo, a transformação pela via da localização: a fusão transdisciplinar com a cultura popular.
    "O Ano Novo Chinês", que se apresenta como a versão chinesa de "O Quebra-Nozes", transfigura em linguagem cénica do ballet os costumes do Ano Novo — a reunião familiar no fim do ano — e imagens orientais como a porcelana e a seda. A cultura milenar não é um monte de papéis velhos, mas uma estética contemporânea capaz de ganhar vida.
    Terceiro, a expressão ancorada na época: a fusão transdisciplinar com os temas contemporâneos.
    "A Alma do Grou", tendo por protótipo a história real da jovem Xu Xiujuan, protetora dos grous, conta, através da imagem do grou-de-coroa-vermelha, uma história contemporânea da coexistência entre o homem e a natureza, toca os corações com o verdadeiro, o bom e o belo comuns à humanidade — o que é precisamente o valor eterno do ser humano que "ultrapassa as nações".‌
    Quarto, a tradução contemporânea da literatura clássica: a fusão transdisciplinar com os clássicos literários.‌
    O bailado "O Sonho da Câmara Vermelha" pratica a estética oriental da "grande via na máxima simplicidade", tendo como imagem central um enorme painel liso e rotativo que comuta entre o branco puro e o vermelho-dourado, gerando mutuamente o vazio e o pleno e deixando em branco para exprimir o sentido, criando uma conceção filosófica de "uma terra vasta e branca, verdadeiramente limpa".
    Estas quatro obras revelam-nos que a arte verdadeiramente vital tem de estar enraizada na cultura local e, ao mesmo tempo, abraçar o fio condutor da sua época. E cada um desses “abraços” é um atravessar de fronteiras — com diferentes formas artísticas, com diferentes contextos culturais e com diferentes temas da época.
    Hoje, a chegada da era da IA abriu possibilidades sem precedentes à cocriação transversal. Artistas e especialistas técnicos, criadores de conteúdos e gestores de plataformas estão a formar novas relações de cocriação: no plano da criação, o desenho cenográfico, a orquestração musical e a captura de movimentos assistidas por IA dão à imaginação dos artistas o apoio das equipas técnicas; no plano da difusão, a digitalização e as tecnologias de VR/AR permitem que os bailados de excelência ultrapassem as limitações da sala de espetáculos e da geografia, fazendo com que o público da Grande Baía e mesmo de todo o mundo se torne participante da cocriação; e no plano da experiência, os espetáculos virtuais e as experiências teatrais imersivas aproximam os jovens dos clássicos culturais de uma forma nova e fazem com que participem também de uma nova maneira na recriação cultural. A Companhia Nacional de Bailado da República Popular da China tem vindo, nos últimos anos, a explorar também a difusão digital, através de gravações de imagens em alta definição e de exibições em linha, para que os espetáculos clássicos cheguem a um público mais vasto.
    A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é, precisamente, o eixo que sustenta a fusão profunda entre arte e tecnologia. Aqui existe um solo cultural aberto e inclusivo, recursos densos de inovação científica e tecnológica e uma vantagem geográfica que liga o país e o estrangeiro. Macau, enquanto palco histórico do encontro das culturas chinesa e ocidental, tem na sua experiência urbana de mais de quatro séculos de coexistência plural uma verdadeira história de “cocriação transversa”. Aqui, a cocriação transversal entre os setores da arte, da tecnologia e da indústria pode fazer com que a linhagem cultural chinesa se renove na transmissão, consolidando ainda mais o laço cultural entre o Interior da China e Macau.
    Caros amigos, a vitalidade da arte reside na persistência nos princípios fundamentais e, mais ainda, na inovação. A confiança cultural vem das raízes e também da abertura. Ancorados na raiz cultural, congregando as forças transversais e usando bem a capacitação tecnológica, para abrirmos juntos, nesta terra fértil que é a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, um novo horizonte onde a cultura e a tecnologia coexistem. 
    Man Dandan afirmou na sua intervenção: como profissional do desporto, gostaria de falar, a partir da perspetiva dos desportos de gelo e neve, sobre a integração intersetorial entre o desporto e a tecnologia, .
    Nasci na região florestal de Hulin, em Heilongjiang, e cresci entre mares de floresta e planícies de neve. Aos doze anos, um treinador reparou no meu potencial para a corrida durante os jogos desportivos da escola e foi assim que me liguei ao esqui de fundo. Desde então, tenho corrido ao vento e à neve há mais de vinte anos. O esqui de fundo, também conhecido como “atletismo da neve”, é a modalidade mais dura entre os desportos de gelo e neve: treinar no inverno rigoroso, com temperaturas entre os trinta e quarenta graus negativos, faz parte da rotina. O rosto fica coberto de geada, o suor congela na roupa, e as lesões na cintura e nas pernas acompanham-me todo o ano.
    Participei sucessivamente em três edições dos Jogos Olímpicos de Inverno — 2006, 2010 e 2014 — e competi várias vezes na Taça do Mundo e nos Jogos Asiáticos de Inverno. Houve desilusões no campo de competição e cheguei a ficar a apenas 0,1 segundo de uma medalha. Em inúmeros momentos de cansaço e de desânimo, também pensei em desistir. Mas, sempre que vestia o uniforme da seleção nacional com a bandeira vermelha de cinco estrelas, a convicção no meu coração voltava a firmar-se — não estou a representar apenas a mim próprio, mas a minha pátria.
    Em 2017, nos Jogos Asiáticos de Inverno de Sapporo, com uma lesão na cintura ainda não recuperada, participei na prova feminina de curta distância de 1,4 km e acabei por conquistar a medalha de ouro — a primeira medalha de ouro de uma prova individual de esqui de fundo na história chinesa dos Jogos Asiáticos de Inverno. Ao cruzar a linha de meta, ergui bem alto a bandeira nacional, com as lágrimas misturadas com a água da neve. Na cerimónia de encerramento, desempenhei as funções de porta-estandarte da delegação chinesa e entrei no estádio com a bandeira nacional erguida. Nesse momento, um forte sentimento de honra nacional pousou pesadamente sobre os meus ombros.
    Mas o que quero partilhar hoje não é apenas a dureza do esforço, mas também como a tecnologia transformou os desportos de gelo e neve. Quando ingressei na seleção nacional, o treino assentava basicamente nos olhos e na experiência do treinador — se os movimentos estavam corretos e se a força era aplicada da forma adequada, tudo dependia da observação repetida e das correções orais do treinador. Hoje, com a introdução de sistemas de captura de movimentos e de sensores vestíveis, a velocidade, a postura e o ângulo de aplicação de força em cada deslize transformam-se em dados; o treinador pode analisar os detalhes do movimento diante do ecrã e indicar com precisão em que ponto é possível otimizar. A tecnologia não substituiu o suor dos atletas, mas deu uma direção mais precisa a cada gota do nosso suor. ‌
    Depois de me retirar, tornei-me docente da Universidade de Educação Física e Desporto da Capital. Embora a minha etapa na pista da competição tenha chegado ao fim, a nova jornada no setor dos desportos de gelo e neve está apenas a começar. Ao longo destes anos, testemunhei com os meus próprios olhos como a tecnologia da IA tem vindo a entrar nas aulas de educação física — os sistemas de captura de movimentos ajudam os alunos a corrigir rapidamente os movimentos técnicos, as plataformas de megadados elaboram planos de treino personalizados para alunos com diferentes níveis de aptidão física, e o treino simulado em realidade virtual permite que as crianças das regiões do sul também “entrem” nas pistas de neve e experimentem os desportos de gelo e neve. A tecnologia está a derrubar as barreiras geográficas dos desportos de inverno, permitindo que mais crianças se aproximem do gelo e da neve e se apaixonem por estas modalidades.
    Quando se fala da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, é um tema que me toca particularmente. Os desportos de gelo e neve são tradicionalmente associados ao Norte do país, mas a Grande Baía dispõe de abundantes recursos em pistas de gelo cobertas, de uma sólida base na indústria tecnológica e de um enorme mercado de consumo. Com a conjugação destes fatores, a Grande Baía reúne todas as condições para se tornar um polo de promoção dos desportos de gelo e neve no sul e de inovação tecnológica desportiva. Macau, enquanto janela de encontro entre as culturas chinesa e ocidental, pode também desempenhar um papel único no intercâmbio cultural desportivo internacional.
    Caros representantes, o encanto do desporto não reside no facto de a máquina substituir a corrida humana, mas no facto de o ser humano, dominando a tecnologia, correr mais depressa e mais longe. Na era da IA, a luta, a perseverança e o sentido de responsabilidade pela pátria que fazem parte do espírito desportivo são precisamente essa “invariante humanística” insubstituível. Que, o desporto seja a nossa ponte e a tecnologia, as nossas asas, para criarmos  juntos um novo horizonte na Grande Baía e para que mais jovens persigam os seus sonhos com coragem e assumam o seu compromisso com a pátria!
    Ao usar da palavra, Cui Jingzhe afirmou: Macau é uma janela importante de encontro e confluência das culturas chinesa e ocidental, e uma ponte que liga a cultura chinesa à Ásia e ao mundo. Sinto-me muito honrado por poder reunir-me aqui hoje com jovens académicos e artistas vindos de todo o mundo para dialogar em torno do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre civilizações e da transmissão cultural. Enquanto criador de pintura chinesa, sinto profundamente que a juventude é a força mais importante para transmitir a civilização e comunicar com o mundo. Temos a responsabilidade de, ancorados na nossa época, contar bem a história da China através da arte e impulsionar a excelente cultura tradicional chinesa no mundo.
    A linhagem cultural chinesa estende-se por milénios, e a pintura chinesa transporta a busca estética e o espírito humanístico próprios dos chineses. Ao longo dos anos, tenho persistido nos princípios fundamentais e na inovação, criando com raízes na terra fértil da China e, ao mesmo tempo,  indo ativamente ao palco internacional, servindo-me do pincel e da tinta como meio para realizar uma prática de intercâmbio humanístico transregional. No âmbito dessa prática de intercâmbio cultural internacional, participei profundamente em vários projetos artísticos de âmbito nacional com dimensão externa. Em 2024, fui convidado a participar na grande exposição de Paris «De Pequim a Paris — Marcha Olímpica dos Artistas Chineses e Franceses» , organizada pelo Grupo de Media da Televisão Central da China, onde desenvolvi um diálogo artístico sino-francês e recebi o «Prémio de Contribuição Notável para o Intercâmbio Humanístico Sino-Francês». Em 2025, participei na exposição especial de intercâmbio humanístico «De Pequim a Roma» do  mesmo grupo de media, por ocasião do 55.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a Itália, aprofundando continuamente o intercâmbio cultural sino-europeu e recebendo o «Prémio Olímpico de Contribuição Notável» do Comité Olímpico Internacional (COI). Durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão de 2026, desloquei-me a Itália para realizar intercâmbio cultural relacionado com os Jogos, e a minha obra da série «Vermelho Chinês» foi adquirida para acervo pela presidente do COI, a senhora Kirsty Coventry. Ergui, com a pintura oriental chinesa, um elo de comunicação com o desporto olímpico internacional.‌
    Além das exposições internacionais, atribuo também grande importância à divulgação académica junto do público jovem no estrangeiro. A partir de 2025, realizei sessões de partilha artística na Universidade de Harvard e na Universidade de Stanford, tendo sido distinguido por ambas as instituições como «Embaixador do Intercâmbio Artístico». A exposição de pintura «Vermelho Chinês» percorreu universidades de renome mundial, entre elas a Escola Nacional Superior de Belas-Artes de Paris, a Escola Nacional Superior de Belas-Artes de Lyon, a Universidade de Letras e Ciências Humanas de França, a Universidade de Cambridge e a Universidade de Oxford, onde proferi conferências sobre estética chinesa. Nas salas de aula destas universidades de renome mundial, expliquei aos jovens mais brilhantes de todo o mundo o sistema do pincel e da tinta da pintura chinesa e a filosofia estética oriental, interpretando o núcleo espiritual do pensamento estético chinês. Em cada um destes encontros presenciais, compreendi profundamente que a afinidade mais preciosa entre civilizações de diferentes países é precisamente o anseio comum dos jovens pela beleza, e é este o melhor alicerce para a comunicação intercultural.
    Ter vindo a Macau para participar no Fórum Internacional e na “Jing Hang Xing Zhi — Exposição Académica Convidada de Mestres da Pintura Chinesa”, e poder dialogar com jovens colegas de vários países nesta plataforma de coexistência multicultural, é extremamente significativo para mim. Macau, enquanto “base de intercâmbio e cooperação que tem a cultura chinesa como corrente principal e na qual coexistem múltiplas culturas”, claramente definida no planeamento nacional, oferece uma plataforma privilegiada para o intercâmbio cultural entre jovens de diferentes regiões do mundo. Aqui, artistas do Interior da China, colegas locais de Macau e jovens de vários países asiáticos reúnem-se, o que é uma prática viva do intercâmbio cultural.
    Como representante dos jovens pintores chineses, apelo aqui aos jovens amigos de todos os países para que, tendo a cultura como ponte e a arte como meio, reforcem a interação e a aprendizagem recíproca. Ancorados nesta janela de intercâmbio internacional que é Macau, promovamos em conjunto a transformação criativa e o desenvolvimento inovador da cultura tradicional, contemos bem as histórias da China e da Ásia e contribuamos com a força da juventude para aprofundar o diálogo entre civilizações e promover o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre culturas diversas.
    Ao usar da palavra, Xiao Hongying afirmou: em dias auspiciosos, os sentimentos são infinitos; belas paisagens enchem o pátio e brilham no céu azul. Agradeço o convite dos organizadores. É com grande alegria que venho às margens do rio Hou Kong participar neste grande encontro e banquete de ideias, onde a tecnologia e a cultura se cruzam e colidem. É para mim uma alegria imensa e uma honra que partilho. Enquanto investigadora que se dedica há longos anos, na Universidade de Tsinghua, à governação social, à cultura educativa e à comunicação da imagem nacional, e também promotora e divulgadora da cultura poética e da cultura do “junzi” (o homem de bem), ao encontrar-me em Macau, esta terra fértil de encontro entre as civilizações chinesa e ocidental, sinto o esplendor deslumbrante do reencontro, no topo, das humanidades com a tecnologia no cume.
    Com base no tema desta mesa-redonda, gostaria de partilhar três reflexões.
    Em primeiro lugar, a continuidade da herança cultural é a base espiritual da inovação nas práticas da boa governação social.
    O 15.º Plano Quinquenal nacional propõe que se dê pleno uso ao papel de Guangdong, Hong Kong e Macau como janela importante do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental. A cultura chinesa defende que o homem de bem, humilde e discreto, pratique a “harmonia na diversidade”, preconizando a inclusão plural e o respeito pelas diferenças — o que nutre a governação social local e oferece também um valor oriental à boa governação global. A cultura não é um passatempo requintado guardado numa prateleira alta, escondido no gabinete de estudo, mas uma força espiritual que liga o quotidiano das pessoas, aquece a sociedade e põe em comunicação o país e o estrangeiro, consolidando a base ideológica para a coexistência harmoniosa de diferentes civilizações e para a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.
    Segundo: a capacitação digital e inteligente impulsiona o encontro recíproco entre a raiz cultural e a inovação tecnológica, ao serviço da boa governação global.
    Na era da inteligência digital, a IA, a realidade virtual e os megadados derrubam as barreiras linguísticas e geográficas, ampliando enormemente os limites da difusão cultural e oferecendo novas ferramentas à aprendizagem mútua entre civilizações. Mas a tecnologia é apenas um suporte: a “conexão” digital não equivale à “compreensão” entre os corações. A tecnologia pode gerar poemas de retórica brilhante, mas não substitui o calor da emoção sincera no coração humano, nem a virtude do homem de bem e a ressonância empática de valores sedimentados pela civilização, e não consegue contar uma história da China credível, amável e digna de respeito. Temos de guardar a subjetividade da cultura chinesa: a cultura ensina o homem a firmar a sua virtude, a tecnologia ensina-o a ir longe; só a fusão de ambas pode consolidar a base dos corações para a boa governação social e o diálogo global. A integração entre cultura e tecnologia não é apenas uma soma de meios técnicos, é sobretudo uma questão da lógica de base da governação social e da governação global. Aprofundar com a cultura o calor humano da governação social e elevar com a tecnologia a eficácia do diálogo entre civilizações, impulsionando cada civilização a passar de “ver-se mutuamente” para “compreender-se mutuamente”, é a forma de contribuir com a sabedoria chinesa para aperfeiçoar a governação global e construir em conjunto uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.
    Terceiro: dar pleno uso às vantagens únicas de Macau e fazer dela um ponto de apoio importante da prática da boa governação e da aprendizagem mútua entre civilizações na Grande Baía.
    Apoiando-se em "um país, dois sistemas", evidenciar as vantagens únicas de uma Macau da cultura e de uma Macau da tecnologia, e converter a acumulação histórica de séculos de coexistência plural de Macau num paradigma de aprendizagem mútua entre civilizações e de prática da boa governação que possa servir de referência — isto é, em si mesmo, um exemplo vivo da governação de uma sociedade plural.
    Apoiando-se nas tecnologias digitais, promover no exterior as obras-primas da arte chinesa; e, voltando-se aos países de língua portuguesa e ao mundo, contar bem a história chinesa da cultura do "junzi", inclusiva e cordial. Ancorados na Grande Baía, aprofundar a sinergia entre as instituições de investigação do Interior da China e Macau e, tendo a cultura como elo e a tecnologia como ponte, explorar o caminho da Grande Baía para a capacitação digital e inteligente da boa governação social, contribuindo para a construção de uma Grande Baía de perfil humanístico.
    Guardar a raiz cultural para firmar a confiança e recorrer às tecnologias digitais e inteligentes para alcançar horizontes distantes. Empenhados na conduta elevada e olhando ao longe do alto, espero que este fórum seja a ocasião para que todos os setores, de mãos dadas, trabalhem com pragmatismo e se coloquem na vanguarda, elevando a capacidade e a influência da civilização chinesa na comunicação internacional e contribuindo com a sabedoria da Tsinghua e a proposta chinesa para a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, fazendo desabrochar o encanto único de Macau.
    Para terminar, concluo com um pequeno poema:
    O vento dourado, com o seu ritmo, atravessa o rio Hou Kong;
    por toda a parte, o ar límpido resplandece em brilhos verde-azuis.
    Se nos for concedido prolongar por mil anos esta raiz,
    com pincéis talentosos, em todas as direções, escreveremos um grande ensaio.
    Ao usar da palavra, Zhao Wan afirmou: reunirmo-nos nesta cidade de encontro das civilizações chinesa e ocidental para debater uma questão que diz respeito ao futuro da cultura tem um significado muito particular.‌
    O Museu de Arte de Macau de Figuras Culturais da China é uma das entidades executivas deste evento e também um dos pavilhões desta exposição. A partir de 13 de setembro, parte das obras da exposição “Jing Hang Xing Zhi” está em exibição simultânea na nossa galeria. Os cidadãos de Macau poderão apreciar o esplendor artístico dos mestres da pintura chinesa.
    Executar esta iniciativa não é, para nós, apenas uma honra, mas sobretudo uma responsabilidade. Desejamos que a galeria se torne um espaço de referência que faça com que a arte de alto nível entre verdadeiramente em Macau, crie raízes aqui e injete conteúdos concretos na construção de uma “Macau da cultura”.
    Hoje, gostaria de partilhar três reflexões, do ponto de vista de diretora de uma galeria de arte.‌
    Primeiro: na era da IA, o que cabe fazer à cultura?
    Os algoritmos podem gerar imagens, mas não substituem o calor do “ser humano”.
    Nos últimos anos, a inteligência artificial está a transformar profundamente o modo de funcionamento das galerias de arte. Pintura com conteúdo gerado por AI, guias digitais, exposições imersivas, apoio inteligente à curadoria — enquanto profissionais da linha da frente, abraçamos as mudanças, mas mantemos a lucidez.
    A IA pode gerar em poucos segundos um quadro requintado. Mas não substitui a espessura espiritual das figuras traçadas pelo pincel do artista, nem a contemplação serena da vida própria da pintura a tinta tradicional, e muito menos o encanto oriental da pintura chinesa de flores e pássaros. Por trás destas obras está a experiência de vida de décadas do artista e o seu investimento afetivo. Esta é a "escala humanística" que os algoritmos dificilmente alcançam.
    Por isso, na nossa ótica, a IA é sempre um "capacitador", nunca um "substituto". Recorremos às tecnologias digitais para reproduzir o processo de criação, aos comentários inteligentes multilingues para derrubar as barreiras linguísticas e às exposições virtuais para ampliar o raio de difusão. Mas o núcleo espiritual da obra, o juízo académico da curadoria e ainda aquele estremecimento da alma no instante em que o público se encontra frente a frente com a arte — tudo isto pertence, para sempre, ao "ser humano".
    Segundo: como é possível a transversalidade?
    Depois de me formar, dediquei-me à gestão empresarial e só mais tarde passei a trabalhar na operação de instituições artísticas. Esta experiência deu-me uma vivência muito concreta do que é "atravessar fronteiras": não é uma simples soma, mas uma fusão profunda de lógicas diferentes.
    Ao longo destes anos, o nosso museu tem vindo a explorar um modelo de funcionamento de "arte + cultura + indústria", assentando a instituição no trabalho académico. O essencial está em encontrar a linguagem comum entre as partes.
    A arte fala de estética e de valor espiritual, a tecnologia traz ferramentas e métodos, a indústria oferece um caminho sustentável. Só com a conjugação das três pode a cultura ganhar verdadeiramente vida, transmitir-se e ir para o mundo.‌
    O artista preocupa-se com o peso espiritual da obra, o trabalhador da ciência e da tecnologia com o caminho para a concretizar, e o que uma instituição cultural tem de fazer é precisamente ligar eficazmente ambos, transformando-os numa experiência cultural que o público possa ver e sentir. É precisamente neste processo que pessoas de diferentes domínios aprendem umas com as outras, se respeitam mutuamente e vão formando, aos poucos, a cumplicidade da cooperação. É também esta a intenção original com que temos vindo, ao longo destes anos, a impulsionar em Macau exposições, fóruns e atividades educativas.
    Terceiro: porque é a Grande Baía um novo horizonte?
    Macau é uma janela importante do encontro das civilizações chinesa e ocidental e também um membro importante da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau.
    Desejamos que este lugar seja não apenas um palco de exibição cultural, mas também um campo experimental de inovação pela fusão entre cultura, tecnologia e indústria. No futuro, esperamos dar as mãos a mais instituições artísticas, universidades e empresas tecnológicas da Grande Baía, para impulsionar mais exposições de alto nível e mais projetos transdisciplinares, fazendo de Macau um ponto importante que liga a cultura chinesa ao diálogo com o mundo.
    Caros representantes, forjemos a alma com a cultura, transmitamos sentimentos com a arte e capacitemos com a tecnologia. Pratiquemos o espírito de "Jing Hang Xing Zhi" e impulsionemos em conjunto a transformação criativa e o desenvolvimento inovador da excelente cultura tradicional chinesa.
    Para Macau, para a Grande Baía e também para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações do mundo, contribuamos com a nossa sabedoria e a nossa força.‌
    Na sua intervenção, Liu Xinqi afirmou: a “China Saudável” constitui a estratégia de topo do desenvolvimento de longo prazo do País. Em julho deste ano, o Conselho de Estado emitiu o «Plano de Saúde Nacional do 15.ºPlano Quinquenal», traçando um novo roteiro para a construção da China Saudável. As «Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau» propõem, de forma explícita, a construção de uma «Grande Baía Saudável». Paralelamente, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, enquanto plataforma estratégica de nível nacional, tem como tarefa central impulsionar a diversificação adequada da economia de Macau. Em conjugação com a estrutura industrial «1+4» de Macau, a indústria da medicina tradicional chinesa e da saúde e bem-estar tornou-se já uma indústria emergente central, objeto de apoio prioritário do Estado e de cultivo prioritário por parte de Macau. Pode mesmo dizer-se que a atual aposta de Macau e da saúde e bem-estar é uma opção estratégica que acompanha as políticas nacionais, segue a tendência da Grande Baía e aproveita a oportunidade do nosso tempo.‌
    Assente na vantagem singular de «um país, dois sistemas», Macau dispõe de uma vantagem de abertura bidirecional insubstituível. Tendo como retaguarda a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, conta com uma cadeia industrial completa, uma sólida capacidade de investigação científica e um vasto mercado interno; virada para o mundo, é uma plataforma natural de intercâmbio e comércio de vocação internacional. Com o aprofundamento contínuo da integração entre Hengqin e Macau, formou-se já um modelo industrial maduro: investigação e inovação em Macau, concretização e transformação em Hengqin, mercado acolhido pela Grande Baía e desenvolvimento com projeção global.‌
    Enquanto investigador que se dedica há vários anos ao setor da saúde e bem-estar, tenho três perspetivas claras quanto ao futuro da indústria de Macau.‌
    Em primeiro lugar, Macau tornar-se-á o polo central da internacionalização da medicina tradicional chinesa. Podemos tirar pleno partido das vantagens de Macau enquanto plataforma internacional para impulsionar o desenvolvimento normalizado e moderno da medicina tradicional chinesa, permitindo que técnicas de qualidade, serviços de saúde e bem-estar e produtos de saúde cheguem ao mercado internacional através de Macau, ajudando a cultura médica chinesa a afirmar-se e a enraizar-se além-fronteiras.‌
    Em segundo lugar, Macau criará um novo polo de gama alta nos cuidados de saúde e bem-estar transfronteiriços e na medicina internacional. Apoiada nos padrões de serviço internacionalizados e nas vantagens institucionais de Macau, novas formas de negócio — como os cuidados de saúde e bem-estar de precisão, a gestão de doenças crónicas, o antienvelhecimento de gama alta e a medicina transfronteiriça — vão agregar-se a um ritmo acelerado, dando origem a um aglomerado industrial da saúde e bem-estar, com características bem marcadas e desenvolvimento diferenciado.‌
    Em terceiro lugar, a indústria da saúde e bem-estar de Hengqin e Macau concretizará uma modernização, em escala, de toda a cadeia, desde a investigação e desenvolvimento e a produção até à comercialização e à exportação. À medida que os recursos humanos, as qualificações, os medicamentos e dispositivos médicos e os resultados de investigação científica das duas partes se tornarem cada vez mais interligados e mutuamente reconhecidos, será possível concretizar verdadeiramente um desenvolvimento em circuito completo — investigação e desenvolvimento, produção, comercialização e exportação —, fazendo da indústria da saúde e bem-estar o motor central da diversificação da economia de Macau.‌
    Enquanto agentes do setor da saúde e bem-estar, temos procurado integrar-nos ativamente na estratégia global de desenvolvimento nacional e aproveitar os dividendos políticos da Grande Baía e da integração entre Hengqin e Macau. No futuro, esperamos também aprofundar o intercâmbio e a cooperação com todos os colegas do setor e articular os recursos da indústria, do meio académico e da investigação, convertendo as vantagens industriais em resultados concretos de desenvolvimento.‌
    Vamos unir esforços para aprofundar o setor de qualidade da saúde e bem-estar, contribuindo para a construção de uma Grande Baía Saudável, capacitando a diversificação adequada da economia de Macau e dando o contributo de Macau e da Grande Baía para a concretização da estratégia da China Saudável!‌
    Na sua intervenção, Yang Yixin (Alexis Y. Lavis) afirmou: neste fórum dedicado à cocriação de novos horizontes e ao futuro da Grande Baía, gostaria de partir de uma arte que parece estar a anos-luz dos ecrãs eletrónicos: a pintura de paisagem chinesa. Não pretendo erigir a pintura de paisagem chinesa a modelo a imitar, mas antes servir-me dela para ver com clareza o que a tecnologia pode fazer — e que danos pode causar.‌
    Partilho aqui algumas reflexões.‌
    Primeira reflexão: a obra de arte não é apenas um objeto externo, é um modo de existir.‌
    A obra de arte não é um conjunto de dados, um texto ou um código: é um “acontecer”. Paul Klee dizia: «A arte não reproduz o visível, torna visível.» Tornar visível o que permanece oculto sob as aparências, deixar que, por detrás das aparências, o que é autêntico se manifeste. E esse ser autêntico não pertence à esfera do real positivo; não pode dispensar o vazio e o campo aberto.‌
    Se a tecnologia digital se limitar à recolha, ao armazenamento e à difusão digital, corre o risco de ossificar a obra de arte num objeto material. Ao mesmo tempo, a tecnologia digital pode também criar ocasiões de encontro entre as pessoas e a arte: proporcionar experiências imersivas e interativas, favorecer uma ressonância de ordem espiritual. O resultado depende inteiramente da missão que atribuímos à tecnologia: arquivar e selar, ou deixar circular — e perdurar, sempre viva — a respiração vital da arte.‌
    Segunda reflexão: a pintura de paisagem chinesa é uma arte do «vazio».‌
    O «vazio» no quadro não é uma lacuna à espera de ser preenchida, mas o domínio onde todas as coisas se transformam e germinam. Nas pinturas de paisagem de Muqi, as montanhas esfumam-se entre névoas leves; as manchas de tinta não fecham o contorno dos objetos, antes são formas em vias de se gerar.‌
    O primeiro dos «Seis Princípios» de Xie He é a “ressonância do espírito e o movimento vital”, isto é, a ressonância do sopro (qi) e o pulsar da vida. O qi é a origem: «ao mesmo tempo vazio e portador de luz». O valor das linhas de pincel e tinta vem precisamente dos espaços em branco que envolvem e atravessam o traço. «Tratar o branco como preto» — é esta a via.‌
    Transpondo isto para o tema deste fórum: hoje, em que a IA e a cultura e as artes cocriam para além das fronteiras, a nossa tecnologia só é criativa se souber deixar o vazio e o espaço em branco. Os algoritmos que tentam preencher tudo sufocam a vitalidade da criação humanística; as plataformas que sabem guardar folga alimentam, essas sim, a seiva do humano. O essencial não está em concretizar a interligação de todas as coisas, mas em preservar a distância, o ritmo e a alteridade.‌
    Terceira reflexão: o pintor de paisagem é um praticante do «não-agir» (wu wei).‌
    O Dao realiza todas as coisas sem as possuir. O artista supremo, à semelhança do Dao, não se agarra ao papel de autor soberano da obra. Primeiro, o eu tem de se esvaziar de si mesmo. Mas esse vazio não é um não-agir passivo e estéril: é abrir-se ao imprevisível.‌
    No momento de pintar, o eu vazio e silencioso e o eu original que se funde em todas as coisas e se transforma em montanha e água alternam e fluem, num ritmo recíproco. É precisamente por isso que não há arte que exija de forma tão rigorosa o estudo da técnica e cujo resultado final pareça, no entanto, isento de qualquer artifício.‌
    A técnica não é uma ferramenta do espírito: a própria técnica é a exteriorização do espírito do coração.‌
    A partir destas reflexões, retiro as seguintes ilações para o tema deste fórum:‌
    Em primeiro lugar, as raízes culturais não são um património rígido, nem um punhado de símbolos formais à espera de arquivo. A tradição só ganha vida se for vista como um caminho aberto, e não como um programa fixo. E se a tecnologia não rebaixar a obra de arte a mero suporte de conteúdos a difundir, poderá contribuir para essa abertura.‌
    Em segundo lugar, o intercâmbio e a comunicação entre civilizações não se podem reduzir a uma simples ligação em rede. Macau, enquanto lugar histórico de confluência de civilizações e membro importante da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, recorda-nos que o verdadeiro encontro é abrir o coração ao outro e aceitar depor as posições preestabelecidas. A tecnologia digital pode construir pontes, mas nunca substituirá a presença física. A tecnologia deve criar espaços de encontro, e não enchê-los por completo. Macau pode ser esse laboratório: um lugar onde a tecnologia não elimina as distâncias e as diferenças, mas deixa que essas distâncias se tornem habitáveis.‌
    Por fim, a inovação tecnológica não é o oposto das raízes culturais. Se a tecnologia servir a habitação do ser humano entre o céu e a terra, em vez de se limitar a acumular dados; se nos ajudar a observar melhor, a escutar melhor e a alcançar a ressonância espiritual, então será aliada da cultura. Mas se tornar a obra de arte em objeto, então mata a arte.‌
    Na era digital em que vivemos, a pintura chinesa recorda-nos que o essencial reside no ritmo, na ressonância vital e no vazio. E é precisamente nessa distância, nesse espaço em branco, que o ser humano encontra o seu lugar — não como senhor do mundo, mas como portador vivo de um horizonte aberto. E nesta terra fértil que é a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, esse horizonte aberto é justamente o “novo horizonte” que abrimos em conjunto.‌
    Na sua intervenção, Xie Jian afirmou: no quadro deste tema tão amplo — «Cocriar novos horizontes: as forças transversais na era da IA e o futuro da Grande Baía» — não podem faltar as vozes da linha da frente, da base. Hoje, começo pela história da Ilha de Wailingding para falar da tecnologia e da Grande Baía tal como eu as vejo.‌
    Começo pela minha ilha — a Ilha de Wailingding.‌
    A Ilha de Wailingding fica no Mar do Sul da China, a sudeste de Zhuhai; de barco, desde o Cais de Xiangzhou, leva mais de uma hora a chegar. A ilha tem mais de três mil residentes permanentes e, antigamente, o transporte era difícil e a informação escassa. Trabalhei ali mais de vinte anos nos Correios: das bicicletas às motas na entrega de correspondência, dos telefones de manivela aos smartphones, da triagem manual à logística inteligente. Ao longo destes mais de vinte anos, vi com os meus próprios olhos esta pequena ilha ser transformada, pouco a pouco, pela tecnologia e integrar-se, pouco a pouco, na Grande Baía.‌
    Quando cheguei à ilha, uma carta levava três dias e uma encomenda uma semana a chegar. Os idosos da ilha comunicavam com os parentes do continente por carta; os jovens que trabalhavam fora davam notícias à família por chamada de longa distância. Naquele tempo, o correio era a única ponte entre a ilha e o mundo exterior. Todos os dias, com o saco de correio às costas, percorria ruas e vielas e entregava jornais, cartas e encomendas nas mãos dos moradores. Não era apenas entregar correspondência: era entregar esperança e saudade.‌
    Falemos agora da tecnologia: o que trouxe ela à ilha?‌
    Nestes anos, as mudanças foram imensas.‌
    Primeiro chegou o sinal de telemóvel, depois o 4G e o 5G. Hoje, os idosos da ilha falam por vídeo no WeChat com os filhos que estão longe. Antes, uma carta levava três dias; agora, uma mensagem no WeChat chega em segundos. Antes, para comprar algo era preciso apanhar o barco até à cidade de Zhuhai; agora, faz-se o pedido no telemóvel e a encomenda é entregue à porta de casa.‌
    Mas foi nos próprios Correios que a mudança foi maior. Antes, a correspondência era triada à mão; hoje, todo o processo é automatizado. Antes, a distribuição fazia-se a pé ou de bicicleta; hoje, a ilha tem veículos de distribuição elétricos. Antes, para saber onde estava uma encomenda era preciso telefonar a perguntar; hoje, basta consultar o telemóvel. Estas mudanças, como trabalhador da linha da frente, sou eu quem as sente mais fundo.‌
    Mas o que quero dizer é isto: a tecnologia mudou a eficiência, mas há coisas que não mudaram. Os moradores da ilha, quando me veem, continuam a puxar-me para dois dedos de conversa, como velhos amigos; e quando alguém precisa que lhe leve alguma coisa, continua a vir procurar-me. A tecnologia tornou as encomendas mais rápidas, mas aquela confiança e aquele calor entre as pessoas são coisas que nenhuma máquina substitui.‌
    Por fim, falemos da Grande Baía: na construção da Grande Baía não nos podemos esquecer da base.‌
    Enquanto deputado à Assembleia Popular Nacional, apresento propostas todos os anos: na construção da Grande Baía não se pode olhar apenas para os grandes projectos e as grandes obras, é preciso também cuidar do “último quilómetro” da base.‌
    A Ilha de Wailingding é um retrato em ponto pequeno de tudo isto. Antes, os moradores, para verem um médico, tinham de apanhar o barco até à cidade de Zhuhai, e as crianças tinham de sair da ilha para ir à escola. Nestes anos, com o avanço da construção da Grande Baía, as condições médicas da ilha melhoraram, a escola foi modernizada e o transporte ficou mais cómodo. Mas ainda há muito por fazer: por exemplo, será possível recorrer à telemedicina para que os moradores da ilha consultem localmente especialistas de Zhuhai e até de Macau? Será possível recorrer a recursos de ensino online para que as crianças das ilhas tenham acesso ao melhor ensino da Grande Baía?‌
    Estas coisas são o que eu entendo por “transversalidade”: não é nenhum conceito grandioso nem sofisticado, é simplesmente pôr a tecnologia ao serviço da vida das pessoas comuns, para que a população da base também possa usufruir dos dividendos do desenvolvimento da Grande Baía.‌
    Caros representantes, sou um simples funcionário dos Correios e não sei fazer grandes discursos. Mas há uma coisa que sei: se uma tecnologia é boa ou não, não se mede por quão avançadas são as suas especificações, mas por saber se, depois de as pessoas comuns a usarem, a vida delas ficou mais cómoda e mais feliz. É este, para mim, o sentido mais concreto de “cocriar novos horizontes”.‌
    Na sua intervenção, Guo Xu afirmou: hoje estão aqui presentes artistas, cientistas, educadores e também investidores industriais como eu. À primeira vista pertencemos a áreas distintas, mas na era da IA estamos, na verdade, na mesma linha de partida — porque toda a inovação transversal assenta numa base tecnológica comum: os semicondutores.‌
    Em primeiro lugar, as forças transversais da era da IA enraízam-se na base de tecnologia dura dos semicondutores.‌
    Hoje falamos de criação assistida por IA, de experiências culturais imersivas, de museus e património digital, de espectáculos virtuais. Por detrás destes “novos cenários” tão entusiasmantes está o apoio da capacidade de computação; por detrás da capacidade de computação estão os chips; por detrás dos chips estão os equipamentos centrais de fabrico, como a litografia. Sem semicondutores sob controlo próprio, a mais bela das imaginações transversais pode não passar de um castelo no ar.‌
    Enquanto acionista fundador e investidor inicial da Huasheng Lithography Systems, tenho disto uma vivência profunda. Respondemos firmemente à orientação estratégica nacional de autossuficiência e fortalecimento científico-tecnológico, concentrando esforços nos gargalos do fabrico de equipamentos de semicondutores. A empresa estrutura-se em torno da tecnologia central das máscaras ópticas, articulando processos-chave como a escrita direta a laser, a litografia por feixe de eletrões, as máscaras de deslocamento de fase e a compensação OPC; domina três tecnologias proprietárias — o fabrico de películas ópticas (pellicle), a compensação litográfica e a reparação de máscaras de alta precisão —, dispondo de capacidade para produzir internamente máquinas completas de equipamento próprio e para a produção em série de pellicles DUV de alta precisão, cobrindo processos de litografia 2D a 3D na gama dos 60 a 800 nm, com 19 patentes já obtidas. Entre 2026 e 2027, temos projetadas oito linhas de produção em ambiente limpo, com uma produção anual de cento e cinquenta mil peças micro e nano e um valor de produção que deverá superar os trezentos milhões de yuan, garantindo plenamente a segurança e a estabilidade das cadeias industrial e de abastecimento.‌
    A meu ver, vencer as dificuldades nos gargalos é, nesta época, a forma mais dura de “persistir nos princípios e na inovação” — o que se preserva é a linha vermelha da segurança da cadeia industrial nacional, o que se inova é o caminho tecnológico sob controlo próprio. Isto está, na sua essência, em sintonia com o espírito de “preservar os princípios” que este fórum defende.‌
    Em segundo lugar, o novo horizonte do futuro da Grande Baía exige um ecossistema industrial de colaboração transversal.‌
    O tema desta mesa-redonda é “cocriar novos horizontes”. A meu ver, o “novo horizonte” não pode ser aberto por um único setor isolado; resulta da colaboração transversal e da construção conjunta de um ecossistema. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau reúne precisamente essas condições: sob a vantagem institucional de “um país, dois sistemas”, Hong Kong dispõe de recursos financeiros internacionais e de inovação científica, Macau tem a posição singular de “uma plataforma, uma base”, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin oferece espaço para a implantação industrial, e as nove cidades de Guangdong possuem uma sólida base de fabrico e cenários de aplicação. Esta convergência de elementos tão diversos é, ela própria, o melhor retrato de como “a transversalidade faz nascer um novo ecossistema”.‌
    As empresas do grupo Zhixin, com base em Hong Kong, dedicam-se ao investimento em equipamentos e materiais da fase a montante dos semicondutores, precisamente na esperança de encadear a vantagem de capital de Hong Kong, a vantagem de plataforma de Macau, a vantagem de política de Hengqin e a vantagem industrial do continente, formando uma cadeia completa de “investigação e desenvolvimento — transformação — fabrico — aplicação”. A articulação na indústria dos semicondutores é apenas um retrato em ponto pequeno da cocriação transversal na Grande Baía. No futuro, quando a tecnologia de ponta se fundir profundamente com a cultura e as artes, e quando uma base de capacidade de computação sob controlo próprio sustentar os museus e o património digital, os espectáculos virtuais e a criação assistida por IA, a Grande Baía abrirá certamente, para a fusão entre cultura e tecnologia na China, um “novo horizonte” sem precedentes.‌
    Caros representantes, o Fórum Internacional de Macau criou para nós uma plataforma de diálogo de alto nível, onde profissionais de diferentes áreas podem confrontar ideias e procurar cooperação. Aproveitamos esta ocasião para aprofundar a colaboração entre o continente, Hong Kong e Macau na indústria dos semicondutores, acelerar o processo de nacionalização dos equipamentos a montante, servir a estratégia global de autossuficiência e fortalecimento científico-tecnológico do País e dar o contributo da Grande Baía para o avanço da nova industrialização e a construção de uma potência de fabrico!‌
    Que tenhamos a tecnologia de ponta como base e a transversalidade como caminho, para cocriar novos horizontes na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau!‌
    Na sua intervenção, Zhang Mingxing afirmou: 2026 é o ano inaugural do 15.º Plano Quinquenal do País e também uma fase decisiva para o aprofundamento contínuo da construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Com o rápido desenvolvimento das tecnologias digitais e inteligentes, a inteligência artificial está a entrar em todas as fases da criação, da difusão e da promoção culturais, abrindo um espaço de desenvolvimento inteiramente novo às artes tradicionais. Macau, enquanto janela de confluência entre a civilização chinesa e a civilização ocidental, tem a missão singular de promover o diálogo entre civilizações e de contar bem a história da China e, apoiando-se na vantagem de “um país, dois sistemas”, liga o continente aos países de língua portuguesa, sendo um importante campo de ensaio da inovação resultante da fusão entre cultura e tecnologia na Grande Baía.‌
    A excelente cultura tradicional chinesa é a raiz espiritual da nossa nação. Esta “Jing Hang Xing zhi — Exposição Académica Convidada de Mestres da Pintura Chinesa”, que reúne obras-primas de numerosos mestres da arte do País, é precisamente uma prática viva de transmissão da arte da pintura chinesa e de promoção da cultura chinesa. No passado, quando se falava de arte, o enfoque ia sobretudo para a transmissão do traço e da tinta e para o engenho do trabalho manual; hoje, novas tecnologias como a IA e os grandes dados oferecem instrumentos inteiramente novos para a transmissão, a exibição e a divulgação da arte. Mas a técnica será sempre um meio: o conteúdo humanístico é que é a alma. Temos de preservar as raízes culturais e saber usar a força da tecnologia para que a antiga pintura chinesa ultrapasse as fronteiras do território e da idade e chegue aos olhos de um público cada vez mais vasto.‌
    A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau concentra talentos, tem uma indústria diversificada e possui uma sólida base para a fusão transversal entre arte, tecnologia, educação e comércio. Na era da IA, a transversalidade não é uma simples sobreposição de tecnologia e belas-artes: é o confronto de ideias e a articulação de recursos de diferentes áreas, na exploração conjunta de novas formas da indústria cultural. Macau pode tirar pleno partido das suas vantagens: por um lado, ancorado na Grande Baía, em articulação com artistas e equipas de investigação do continente, para explorar novos modelos como as coleções digitais, as exposições online e os museus de arte digital; por outro lado, virado para o exterior, servindo-se da plataforma sino-lusófona, para levar aos países de língua portuguesa e a todo o mundo a arte tradicional chinesa enriquecida pela tecnologia moderna, impulsionando o intercâmbio e o diálogo entre civilizações.‌
    Apoiada nos abundantes recursos universitários de Macau, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau pode desempenhar um papel ainda maior, e nós, empresários e membros do conselho da universidade, estamos dispostos a continuar a investir e a servir de ponte. Caros representantes, Macau é uma cidade que sabe “ligar” — liga o continente ao mundo, liga a tradição à modernidade, liga o comércio à cultura. Na era da IA, este papel de “elo de ligação” é ainda mais precioso.‌
    Enquanto agentes das associações e do setor empresarial de Macau, estamos igualmente dispostos a participar ativamente, congregando as forças da sociedade civil, apoiando projetos de inovação cultural e construindo pontes de intercâmbio e cooperação entre artistas e profissionais da ciência e da tecnologia. Estou disponível para continuar a ter as associações como ponte, a indústria como base e a educação como fundamento e, a par de todos os aqui presentes, ajudar a construir uma “Macau Cultural” e dar o contributo de um empresário de Macau de origem em Fujian para o desenvolvimento de alta qualidade de uma Grande Baía Humanística.‌
    Na sua intervenção, Zhang Junyong afirmou: por muito que a tecnologia se renove e as civilizações dialoguem, quem acabará por receber o testemunho e levar este caminho por diante serão, sem dúvida, os jovens.‌
    Em primeiro lugar, Hong Kong desempenha sempre o papel de “elo de ligação” no diálogo entre civilizações.‌
    Hong Kong é uma cidade muito especial. Apoia-se na pátria e volta-se para o mundo: ao mesmo tempo que conserva as raízes profundas da cultura tradicional chinesa — o incenso do Templo de Tin Hau, a agitação das casas de chá de ervas, os tambores e os gongos da ópera cantonesa —, é uma cidade altamente internacionalizada: o cidadão comum passa com fluência do cantonês para o mandarim e para o inglês, e as culturas, as artes e as correntes de pensamento de todo o mundo circulam aqui livremente.‌
    Esta dupla identidade — “chinesa e, ao mesmo tempo, mundial” — faz de Hong Kong uma ponte natural para o diálogo entre civilizações. Ao longo das últimas décadas, Hong Kong foi uma janela importante para os produtos culturais chineses chegarem ao mundo e também uma via importante para o mundo conhecer a China. Ao entrar na era digital e inteligente, este papel não só não ficou desactualizado como se tornou ainda mais importante: quando a tradução por IA elimina as barreiras linguísticas e as plataformas digitais derrubam as barreiras do tempo e do espaço, a verdadeira vantagem de Hong Kong já não reside apenas na língua e na localização, mas na confiança internacional, no ambiente de Estado de direito, nos serviços profissionais e na rede global acumulados ao longo de muitos anos. Estes «poderes brandos» são aquilo que nenhum algoritmo pode substituir.‌
    Em segundo lugar, a transmissão das raízes culturais tem de chegar, sobretudo, ao coração dos jovens.‌
    No meu trabalho com jovens em Hong Kong, a constatação mais profunda que fiz é esta: a identidade cultural não se constrói com sermões, mas com experiência, com participação e com ressonância.‌
    Os jovens de Hong Kong de hoje são “nativos digitais” que cresceram na Internet e nas redes sociais. Se lhes falarmos de tradição e de raízes apenas com palavras de livros e peças de museu, podem achá-las distantes. Mas se usarmos as formas que lhes são familiares — contar bem a história de uma festa tradicional em vídeos curtos, fazer com que “entrem” na pintura «Ao Longo do Rio Durante o Festival de Qingming» através de experiências imersivas, dar-lhes ferramentas de IA para criarem eles próprios uma pintura a tinta, dar vida a personagens históricas através de jogos e de animação —, hão de descobrir que a cultura chinesa é, afinal, tão fixe, tão bela e tão sábia.‌
    Nestes últimos anos, eu e os meus colegas da Aliança dos Negócios e das Profissões de Hong Kong (BPA) organizámos muitos intercâmbios de jovens de Hong Kong no continente: fomos ao Palácio Imperial ver as relíquias, a Dunhuang ver as pinturas murais e às empresas tecnológicas da Grande Baía ver as aplicações de IA mais avançadas. Muitos jovens, ao regressarem, disseram-me que antes tinham uma compreensão abstrata do País e que, depois daquela viagem, a confiança cultural e o orgulho nacional lhes nasceram do fundo do coração. É esta a razão por que “ligar” não é o mesmo que “compreender”: a tecnologia digital resolve o problema de “ver”, mas a experiência profunda de “entrar e integrar-se” continua a ser insubstituível.‌
    Em terceiro lugar, a Grande Baía é o melhor palco para a cocriação transversal dos jovens.‌
    O diálogo entre civilizações na era digital e inteligente não pode ficar-se pelo nível do intercâmbio e das visitas: tem de dar aos jovens oportunidades concretas. E é precisamente a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau que oferece aos jovens de Hong Kong esse palco.‌
    Na Grande Baía, os jovens de Hong Kong podem combinar o seu horizonte internacional e a sua criatividade com a sólida indústria transformadora e tecnológica de Guangdong e com a plataforma cultural de confluência sino-ocidental de Macau. Tanto na criação cultural digital como no turismo cultural inteligente, tanto na criação de conteúdos com IA como na digitalização do património cultural, há um espaço enorme. Atualmente, Hengqin, Qianhai e Nansha lançaram já uma série de políticas de apoio ao empreendedorismo dos jovens de Hong Kong e Macau: do financiamento e dos espaços às habitações e à segurança social, os limiares são cada vez mais baixos e o apoio complementar cada vez mais completo.‌
    Costumo dizer aos jovens de Hong Kong: não se fechem nas duas margens do Porto de Victoria; o vosso palco é toda a Grande Baía, é todo o País, é o vasto mundo ligado pela “Uma Faixa, Uma Rota”.‌
    Caros representantes, a continuidade das civilizações é, na sua essência, uma escolha que se faz geração após geração. Na era digital e inteligente, quanto mais desenvolvida é a tecnologia, mais temos de pensar: de que forma podemos fazer com que os jovens se apaixonem verdadeiramente pela sua própria cultura, compreendam civilizações diferentes e dominem a tecnologia que têm nas mãos? Estou certo de que, desde que montemos bem o palco e abramos bem o caminho para os jovens, eles saberão tornar-se os “novos mensageiros” mais dinâmicos do diálogo entre civilizações e escrever, nesta terra fértil que é a Grande Baía, o “novo horizonte” que pertence à sua geração.
    Na sua intervenção, Zhang Genhu afirmou: a inteligência artificial penetra profundamente em toda a cadeia da criação, da difusão e do consumo culturais, sendo capaz de simular o pincel e a tinta da paisagem e de gerar obras de pintura a tinta. Isto leva-nos a reflectir: na era da IA, como devem situar-se a caligrafia e a pintura tradicionais, e onde reside o valor insubstituível do artista humano?‌
    Ao longo de muitos anos dediquei-me à transmissão e à divulgação da caligrafia e da pintura, tendo concebido grandes exposições de âmbito nacional como «Monte Wutai Auspicioso», «Marco do Taihang» e o «Prémio Fu Shan». No mês passado, a exposição «Tinta e Pincel que Honram uma Era Próspera» apresentou dez das minhas obras de caligrafia, na sua maioria poemas dos antigos sábios de Shanxi e a «Ode a Shanxi», da minha autoria. No ano passado, na exposição «Temperar a Acção e Regressar à Autenticidade — Exposição de Caligrafia e Pintura de Zhang Genhu», tomei como ponto de entrada cultural o jogo nacional «Black Myth: Wukong» para criar a caligrafia «Seguindo Wukong por Shanxi», levando mais pessoas a interessarem-se pela arquitectura antiga de Shanxi; as pinturas inspiram-se nas paisagens de Shanxi, e o espinheiro-marítimo tornou-se também uma imagem local que retrato com particular atenção.‌
    Todas as minhas obras nascem de viagens ao terreno: percorri o Taihang, caminhei ao longo do Rio Fen, e entre o traço e a tinta há o apego às montanhas e aos rios da minha terra. Esta experiência vital colhida no contacto com a terra, este sentimento de pertença à terra e esta bagagem humanística são precisamente o núcleo mais precioso da arte humana. A IA pode replicar a técnica do pincel e da tinta, mas não pode apreender o calor das montanhas e dos rios, nem suportar a emoção sincera de um criador enraizado na terra. A pintura chinesa preza o princípio de “aprender do exterior com a natureza criadora e encontrar no íntimo a fonte do coração”: o pincel e a tinta são técnica e, mais ainda, a exteriorização da personalidade e dos afectos. Não rejeitamos a IA: usamo-la como instrumento auxiliar na organização de materiais, na referência de estilos e na difusão digital. Preservar as raízes culturais, saber usar a tecnologia como força capacitadora e concretizar uma coexistência mútua entre tecnologia e humanidades é uma questão crucial para os trabalhadores da literatura e da arte da nova era.‌
    Perante este desígnio da nossa época, como se pode tornar possível a cocriação transversal? Nestes anos, concebi exposições e organizei sessões de pintura ao natural, reunindo artistas de todo o País para entrar no Taihang, no Rio Amarelo e na Grande Muralha, estendendo a criação de ateliê às vastas montanhas e rios. A arte deve articular-se ativamente com a tecnologia, a educação e a indústria: explorar, em conjunto com especialistas técnicos, a tradução digital da caligrafia e da pintura; promover, a par dos educadores, a educação estética; e, articulando-se com a indústria, levar a arte tradicional ao grande público. A transversalidade não pode ficar-se pelos conceitos: é preciso criar mecanismos de colaboração concretizáveis e alcançar um efeito de cocriação em que 1+1>2.‌
    Falemos agora de como a Grande Baía pode tornar-se um novo horizonte para a fusão entre cultura e tecnologia. A Grande Baía é um ponto alto da estratégia nacional, e Macau tem a missão de construir uma base de intercâmbio e cooperação cultural; esta iniciativa visa precisamente, tendo a caligrafia e a pintura como elo, promover o encontro de culturas e ajudar a construir uma Grande Baía Humanística. A experiência histórica de mais de quatrocentos anos de confluência entre a civilização chinesa e a ocidental em Macau diz-nos: o que perdura verdadeiramente não é o avanço da tecnologia, mas a tolerância da cultura. Na era digital e inteligente, Macau deve assumir bem o papel de “elo de ligação”, desempenhando a função singular de ligar o continente aos países de língua portuguesa e de articular as regras internacionais com a cultura local, convertendo séculos de experiência de diálogo entre a China e o Ocidente num novo modelo replicável de diálogo entre civilizações.‌
    “Cinco mil anos de civilização encontram-se em Shanxi.” A terra dos Três Jin tem um veio cultural denso: Jing Hao, o patriarca da escola setentrional de pintura de paisagem, viveu em recolhimento no Taihang; Wang Wei, insuperável tanto na poesia como na pintura, e Fu Shan, o grande calígrafo, deixaram nesta terra marcas profundas; o espírito dos comerciantes de Shanxi, que com integridade e espírito de abertura ligaram o mundo; e a têmpera «vermelha» forjada pelo Taihang e pelo Lüliang é a espinha dorsal da nação, temperada no fogo da guerra de resistência. Estes preciosos recursos culturais podem ser objecto de uma transformação criativa com o apoio da janela de Macau e das tecnologias digitais de IA. Aproveitando o ecossistema industrial da Grande Baía, podemos transformar a estética da caligrafia e da pintura dos Três Jin em património digital, criação cultural e experiências imersivas, enriquecendo a vida cultural e espiritual da Grande Baía e contando bem a história da China ao mundo. À densa bagagem cultural dos Três Jin aliem-se a vantagem de plataforma de Macau enquanto porta aberta e o espaço de política de Hengqin, para explorar um modelo de colaboração “conteúdos de Shanxi + janela de Macau + tecnologia da Grande Baía”, fazendo com que o veio cultural dos Três Jin chegue ao mundo através da Grande Baía.‌
    Em suma, na era da IA a tecnologia renova-se e avança, mas o veio cultural deve enraizar-se ainda mais na sua própria terra. A tecnologia alarga as fronteiras da arte, mas é o espírito humanístico que constitui o fundamento da criação. Aguardo com expectativa que os colegas de todos os setores unam esforços, ancorados na Grande Baía, para bem usar a tecnologia e explorar conjuntamente novos caminhos de fusão entre cultura e tecnologia.‌
    Na sua intervenção, Zhang Yingxi afirmou: nestes últimos dois anos, a tecnologia de síntese de voz por IA desenvolveu-se com enorme rapidez. Todos terão já ouvido dizer que a IA consegue imitar o timbre dos mais variados cantores e até “ressuscitar” cantores líricos já falecidos, fazendo-os interpretar obras que nunca chegaram a gravar. Há colegas mais jovens, à minha volta, que dizem, a brincar: “Será que daqui a pouco já nem precisamos de cantores?”‌
    Como alguém que canta em palco há trinta anos, a minha resposta é: não.‌
    Porquê? Porque o encanto da arte do canto nunca esteve apenas na reprodução do timbre, mas no calor da presença. Quando um cantor sobe ao palco e enfrenta centenas ou milhares de espectadores, a sua respiração, a sua emoção e aquela ressonância de alento que se estabelece entre ele e o público naquele instante — nada disso se pode copiar, nem com qualquer gravação, nem com qualquer síntese por IA. O bom canto “transmite a emoção pela voz”: a voz é apenas o suporte, a emoção é que é a alma. A IA pode imitar a casca da voz, mas não consegue imitar trinta anos de experiência de vida de uma pessoa, as lágrimas que lhe vêm aos olhos quando canta com o coração, nem aquela ressonância de batimentos em que, perante o público, “palco e plateia se fundem num só”.‌
    É isto o que eu entendo: a tecnologia pode criar som, mas não pode criar a “presença”; o algoritmo pode imitar um timbre, mas não pode imitar uma “pessoa”.‌
    Mas, por outro lado, a tecnologia está de facto a remodelar o palco.‌
    Como produtor de grandes galas, conheço o poder da tecnologia melhor do que o ator comum. Nestes anos, nas galas em que participei como produtor — da projeção holográfica ao 3D a olho nu, do desenho do campo sonoro envolvente à captura de movimentos em tempo real —, a tecnologia de palco mudou radicalmente. A vez que mais me marcou foi numa gala em que, com projeção holográfica, “ressuscitámos” um velho artista já falecido, fazendo-o “subir de novo” ao palco para cantar com jovens intérpretes. Naquele momento, todo o público se levantou a aplaudir e muitas pessoas choraram.‌
    Isto não é “substituição”, é “continuidade”: a tecnologia faz com que a vida da arte ultrapasse os limites do tempo e do espaço. É este o valor da transversalidade: quando a arte cénica encontra a tecnologia de ponta, as velhas fronteiras começam a diluir-se e novas expressões vão-se gerando.‌
    Falemos agora da Grande Baía.‌
    A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau reúne condições privilegiadas no que toca à fusão entre artes cénicas e tecnologia. Shenzhen tem uma sólida indústria de tecnologia digital, Cantão (Guangzhou) tem uma densa bagagem cultural, Hong Kong tem um mercado de espectáculos internacionalizado e talento criativo, e Macau tem a posição singular de confluência sino-ocidental. Se integrarmos estes elementos — a tecnologia de Shenzhen, os conteúdos de Cantão, os canais de Hong Kong e a janela de Macau —, é perfeitamente possível criar uma zona demonstrativa de fusão entre artes cénicas e tecnologia com nível internacional.‌
    O que eu mais aguardo é isto: poderemos ver no futuro, na Grande Baía, mais cenas como esta — uma ópera de novo tipo que combine composição por IA, palco holográfico e interacção em tempo real, com a densidade do bel canto tradicional e o impacto da tecnologia de ponta; e o público deixar de estar apenas sentado na plateia a “ver”, podendo participar e tornar-se parte do espectáculo. É este o “novo horizonte” que tenho em mente.‌
    Caros representantes, a arte e a tecnologia não são opostas: geram-se e crescem uma com a outra. O bel canto transmite-se há vários séculos e continua hoje a irradiar vitalidade em palco, não por se fechar em si mesmo, mas por absorver continuamente os nutrientes técnicos da sua época. Hoje chegou a era da IA, e a arte cénica pode igualmente abraçá-la e dominá-la: que a tecnologia capacite a arte e que a arte forje a alma da tecnologia.‌
    Que tenhamos o canto como ponte e a tecnologia como asas, para cocriar na Grande Baía um novo horizonte para a arte cénica!‌
    Na sua intervenção, Liu Jiayu afirmou: o tema desta mesa-redonda, esta tarde, é “Cocriar novos horizontes: as forças transversais na era da IA e o futuro da Grande Baía”. Gostaria de apresentar três pontos de vista, a partir de dois ângulos: a coordenação entre Hong Kong e Macau e a economia e o bem-estar da população.‌
    Em primeiro lugar, Hong Kong e Macau são os “motores de duas cidades” da fusão entre cultura e tecnologia na Grande Baía: cada uma tem os seus pontos fortes e, mais do que isso, devem completar-se mutuamente.‌
    Muitos gostam de comparar Hong Kong e Macau, mas, a meu ver, estas duas cidades não são concorrentes: são complementares.
    O que tem Hong Kong? Tem universidades e instituições de investigação de primeira linha a nível internacional, um sistema financeiro e de capital de risco desenvolvido, um regime maduro de protecção da propriedade intelectual e ainda uma rede comercial ligada ao mundo inteiro. Na investigação de base em IA, na transformação dos resultados científicos e tecnológicos e na concentração de talento internacionalizado, as vantagens de Hong Kong são evidentes.
    E o que tem Macau? Tem a posição nacional de “um centro, uma plataforma, uma base”, tem a bagagem singular de mais de quatrocentos anos de confluência entre a cultura chinesa e a ocidental, tem os laços tradicionais com os países de língua portuguesa e com o Sudeste Asiático e tem, sobretudo, um ambiente institucional flexível e aberto sob “um país, dois sistemas”. No turismo cultural, no intercâmbio humanístico internacional e nos serviços de comércio sino-lusófono, Macau é insubstituível.
    Se conjugarmos a capacidade de investigação e desenvolvimento tecnológico de Hong Kong com a capacidade de difusão cultural internacional de Macau, o que surgirá? A meu ver, é perfeitamente possível criar uma cadeia industrial de cultura e tecnologia do tipo “investigação e desenvolvimento em Hong Kong + transformação em Macau + fabrico na Grande Baía + comercialização global”. Não é uma hipótese: é um caminho real que já há empresas a explorar. O problema está em que a articulação institucional, a circulação de talentos e a conexão de regras entre as duas cidades ainda precisam de ser desbloqueadas.
    Em segundo lugar, a fusão entre cultura e tecnologia não pode andar apenas atrás do “grandioso e sofisticado”: tem de acabar por assentar na economia e no bem-estar da população.
    Trabalho na Aliança para a Economia e o Bem-Estar de Macau e, no dia-a-dia, o que mais trato são os problemas que preocupam os cidadãos comuns: emprego, habitação, educação, saúde e apoio à terceira idade. Por isso, quando olho para a IA e para a fusão entre cultura e tecnologia, faço sempre uma pergunta a mais: estas novas tecnologias conseguirão melhorar a vida dos cidadãos comuns?
    Por exemplo, Macau está a impulsionar a diversificação adequada da economia, tendo como áreas prioritárias o turismo cultural, as reuniões e exposições, a medicina tradicional chinesa e as tecnologias de ponta? Poderá a tecnologia de IA ajudar as pequenas e microempresas a fazer a sua transformação digital? Poderá tornar a experiência turística mais personalizada e devolver novo vigor aos bairros tradicionais? Poderá criar mais empregos de alta qualidade para os jovens locais? Estas questões são mais importantes do que discutir simplesmente parâmetros técnicos.
    Outro exemplo: a indústria da criação cultural de Hong Kong desenvolveu-se muito nestes anos, mas enfrenta o estrangulamento dos custos elevados de espaço e de um mercado de dimensão limitada. Poderá Macau servir de “plataforma” para os produtos de criação cultural de Hong Kong chegarem aos países de língua portuguesa e ao mercado do Sudeste Asiático? E, inversamente, poderão os conteúdos digitais, o cinema, a música e os serviços de design de Hong Kong ampliar a sua difusão internacional através da plataforma de Macau? Por detrás de tudo isto estão oportunidades económicas e bem-estar concreto.
    A minha posição é esta: só quando a tecnologia se enraíza no bem-estar da população é que ganha vitalidade duradoura; e se a fusão entre cultura e tecnologia não se traduzir em oportunidades de emprego, em aumento da indústria e em ganhos concretos para os cidadãos, facilmente se transforma num “castelo no ar”.
    Em terceiro lugar, a cocriação transversal exige uma “ligação de natureza institucional”, e os deputados à Assembleia Popular Nacional e as organizações associativas podem desempenhar aí um papel de ponte.
    ‌Nestes anos, na qualidade de deputada à Assembleia Popular Nacional pela região de Hong Kong e de responsável por associações de Macau, tenho impulsionado persistentemente uma única coisa: tornar mais fluida a circulação de fatores entre Hong Kong e Macau e entre estas duas cidades e o continente.
    Por exemplo, quando os jovens de Hong Kong e Macau vão criar empresas em Hengqin, Qianhai ou Nansha, questões que parecem triviais — a certificação de identidade, o enquadramento fiscal, a articulação da segurança social, a circulação transfronteiriça de fundos — são precisamente o “último quilómetro” que trava a colaboração transfronteiriça.
    O que eu entendo por “cocriar novos horizontes” não é apenas o novo da tecnologia e o novo da arte, é sobretudo o novo das instituições e o novo da colaboração. O que um deputado à Assembleia Popular Nacional deve fazer é levar as reivindicações da linha da frente ao plano legislativo e político; o que as organizações associativas devem fazer é transmitir o calor das políticas a cada profissional e a cada cidadão comum.
    Caros representantes, no estuário do Rio das Pérolas a maré sobe e desce, e Hong Kong e Macau, uma a leste e outra a oeste, guardam as duas portas da Grande Baía. A era da IA dá-nos uma oportunidade de recomeçar: fazer com que a «tecnologia de ponta» de Hong Kong se combine profundamente com o «poder brando» de Macau, fazer com que o progresso tecnológico beneficie verdadeiramente a população e fazer com que a vantagem institucional de “um país, dois sistemas” irradie novo brilho na fusão entre cultura e tecnologia.
    Na sua intervenção, Lai Sai Kei afirmou: o tema desta mesa-redonda, esta tarde, é «Cocriar novos horizontes: as forças transversais na era da IA e o futuro da Grande Baía». Os senhores aqui presentes falam de arte, de tecnologia e de indústria; eu gostaria de abordar um tema mais básico e, ao mesmo tempo, mais fundamental: na era da IA, que tipo de crianças havemos, afinal, de formar?
    Em primeiro lugar, quanto mais poderosa é a IA, mais importante se torna a educação do “ser humano”.
    As crianças de hoje são uma geração que cresce verdadeiramente ao lado da IA. Quando se deparam com uma dúvida, perguntam a um assistente inteligente; para escrever uma composição, preparar uma apresentação ou desenhar, têm ferramentas de IA a ajudar. Como director de escola, discuto frequentemente com os professores uma questão: quando a máquina se torna cada vez mais “inteligente”, o que deve ensinar ainda na nossa sala de aula?
    A minha resposta é esta: quanto mais algo pode ser feito pela IA, menos deve constituir o núcleo da educação; e quanto mais é algo que a IA não consegue fazer, mais esforço temos de investir nela.
    A IA pode dar respostas-padrão, mas não dá curiosidade; pode gerar textos, mas não gera sentido de responsabilidade; pode simular a expressão, mas não simula a empatia nem o sentimento de pertença à pátria e à família. Por isso, nestes anos, ao mesmo tempo que impulsiona o ensino informatizado, a Escola Keng Peng dá, inversamente, mais atenção a algumas coisas “à moda antiga”: à leitura, para que as crianças cultivem o carácter nos livros; ao trabalho, para que aprendam a valorizar o que têm pondo as mãos à obra; ao desporto e à arte, para que tenham uma personalidade sã e um corpo forte; e, mais ainda, à educação do carácter, para que aprendam primeiro a “ser pessoa” e só depois a “fazer as coisas”.‌
    A técnica é um instrumento, mas a pessoa é o fim. É este o meu entendimento de “o que pode a cultura fazer na era da IA”: a essência da educação será sempre uma árvore a agitar outra árvore, uma alma a despertar outra alma.
    Em segundo lugar, a educação em Macau tem a missão singular de enraizar as raízes da cultura chinesa no seio da diversidade cultural.
    Macau é uma cidade de confluência entre a cultura chinesa e a ocidental. As crianças crescem desde cedo num ambiente em que as Ruínas de São Paulo e o Templo de A-Má se contemplam e em que as culturas chinesa e portuguesa coexistem. Este ambiente confere-lhes naturalmente um horizonte internacional, mas coloca-nos a nós, educadores, uma questão: como fazer com que as crianças, ao mesmo tempo que abraçam a diversidade cultural, criem as raízes da cultura chinesa?
    A Escola Keng Peng tem uma profunda tradição de amor à pátria e a Macau. Insistimos em integrar a excelente cultura tradicional chinesa no ensino quotidiano — da recitação dos clássicos nas aulas de língua chinesa à educação sobre a realidade do País nas aulas de História; das atividades de interesse como caligrafia, pintura chinesa e artes marciais à organização de visitas de estudo e intercâmbio no continente —, para que as crianças conheçam o seu País e se identifiquem com a sua cultura por experiência própria.
    Sempre sustentei que o amor à pátria e a Macau não é um slogan: tem de ser semeado no coração das crianças através de cada aula, de cada atividade e de cada detalhe. Quando uma criança de Macau consegue, com mente aberta, apreciar o esplendor das civilizações do mundo e, ao mesmo tempo, explicar com orgulho “de onde venho”, é então que adquire verdadeiramente a firmeza para o diálogo entre civilizações. Para apreciar a beleza de cada um, é preciso começar por conhecer a própria beleza; para que todas as belezas coexistam, é preciso começar por firmar bem as próprias raízes.
    Em terceiro lugar, na cocriação transversal, o ensino básico não pode estar ausente.
    Quando se fala da fusão entre cultura e tecnologia, pensa-se habitualmente nas universidades, nas empresas e nos organismos de investigação; mas eu gostaria de dizer que o ensino básico é o “primeiro quilómetro” da fusão entre cultura e tecnologia, e não o “último quilómetro”. Que tecnologias os alunos do ensino básico e secundário contactam hoje na sala de aula, que sentido estético formam e que sonhos semeiam determina que tipo de talento inovador a Grande Baía terá daqui a dez ou vinte anos.
    Nestes anos, fizemos algumas explorações em vários sentidos: primeiro, impulsionar a entrada da educação para a literacia em IA na sala de aula, não ensinando simplesmente às crianças a usar ferramentas, mas cultivando o seu pensamento computacional e a sua ética digital; segundo, impulsionar a fusão entre arte e tecnologia, incentivando os alunos a expressar a sua criatividade por meios digitais; terceiro, servindo-nos da plataforma da Grande Baía, organizar visitas de estudo e competições de inovação científica conjuntas entre alunos de Macau e escolas de Guangdong e de Hong Kong, para que as crianças pensem e cresçam desde cedo no espaço da “Grande Baía”.‌
    Aproveito também esta ocasião para apelar: espero que as universidades, as empresas tecnológicas e as instituições culturais abram mais os seus recursos ao ensino básico — que os laboratórios se abram aos alunos do ensino básico e secundário, que artistas e cientistas entrem nas escolas —, para que a semente da transversalidade germine o mais cedo possível no coração das crianças.
    ‌Caros representantes, a educação é uma causa de “esperar serenamente que a flor desabroche”. Quanto mais rápida é a mudança na era da IA, mais temos de guardar a vocação primeira da educação. Como director de uma escola de Macau, desejo trabalhar lado a lado com todos os aqui presentes para formar, para Macau e para a Grande Baía, uma nova geração que tenha sentimento de pertença à pátria e à família e, ao mesmo tempo, horizonte internacional, que entenda de tecnologia e, mais ainda, saiba ser pessoa.‌
    Na sua intervenção, Wang Baosheng afirmou: o diálogo transversal desta tarde mostrou plenamente o amplo horizonte da fusão entre cultura e tecnologia na era da IA, e a cocriação transversal é a energia motriz decisiva do desenvolvimento futuro da Grande Baía. A Revista Figuras da Cultura Chinesa terá Macau como janela para impulsionar a concretização de mais cooperações transversais e dar o seu contributo à construção de uma Grande Baía Humanística.


     
    Figuras da Cultura Chinesa empenha-se em levar a cultura chinesa ao mundo

    (Responsáveis editoriais: Liu Sheng e Zhang Yan)

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